Cerca de 50 civis morreram nos ataques aéreos desta segunda-feira a quatro hospitais, dois deles pediátricos, e duas escolas na Síria, segundo as Nações Unidas, citadas pela agência Associated Press.

Várias crianças morreram nestes ataques. A UNICEF, que apoiava duas das unidades de saúde atingidas, uma delas também maternidade, manifestou-se "chocada".

Além das vítimas mortais, há dezenas de feridos a registar.

O secretário-geral da ONU, citado pelo porta-voz Farhan Haq, diz que se tratam de “flagrantes violações das leis internacionais”, que "estão a degradar ainda mais um sistema de cuidados de saúde já muito fragilizado e impedindo o acesso à educação na Síria".

Ban Ki-moon não tem dúvidas de que estes ataques visam “ensombrar os compromissos” assumidos por várias nações na conferência de Munique, no passado dia 11, onde ficou acordado o cessar-fogo no país e o fim dos ataques a civis.

O Presidente sírio, Bashar al-Assad, considerou hoje “difícil” imaginar um cessar-fogo proposto pelas grandes potências e que deve teoricamente entrar em vigor até ao fim desta semana.

“Até agora, eles dizem que querem um cessar-fogo numa semana. Quem é que consegue reunir todas as condições numa semana? Ninguém (…). Se uma organização terrorista recusar o cessar-fogo, quem é que lhe pede contas? Na prática, falar de cessar-fogo é difícil”, declarou Assad, citado pela agência oficial síria Sana.

A União Europeia e os Estados Unidos já condenaram estes ataques, com a UE a dizer que são “completamente inaceitáveis”, mas sem apontar responsabilidades.

O enviado-especial da ONU para as negociações de paz na Síria, Staffan de Mistura, chegou a Damasco nesta segunda-feira, mas recusou prestar declarações aos jornalistas à chegada.

Vários mísseis atingiram uma escola e um hospital na cidade síriade Azaz, próxima da Turquia, que acolhe muitos refugiados causando a morte a pelo menos 14 civis, segundo médicos e residentes, num primeiro balanço.

Segundo a agência Reuters, que cita um oficial turco, a zona foi atingida por sete mísseis russos.

Um médico e dois residentes contaram à Reuters que os mísseis atingiram um hospital de crianças, uma escola e outros pontos da cidade de Azaz controlada pelos rebeldes, junto à fronteira com a Turquia.

Há relatos de um campo de refugiados também ter sido atingido.

Além destes bombardeamentos em Azaz, um outro hospital, na província de Idlib, na zona norte da Síria, gerido pela organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), também foi alvo de um ataque “deliberado”.

“Foi um ataque deliberado contra uma instituição médica. A destruição da infraestrutura deixa 40 mil pessoas sem cuidados básicos de saúde numa zona do conflito”, afirmou Massimiliano Rebaudengo, responsável pela missão em Idlib, em declaraçôes à Reuters.

Ainda segundo o mesmo responsável, o hospital foi atingido por quatro mísseis, em dois ataques separados por poucos minutos. Nas instalações hospitalares trabalhavam 54 pessoas, que geriam cerca de 30 camas de internamento.