O Presidente francês falou ao país ao início da noite desta sexta-feira, depois do fim do pesadelo dos dois cercos que a polícia tiveram de montar em Paris, nos quais três dos quatro suspeitos dos ataques terroristas dos últimos dois dias na capital foram mortos. François Hollande advertiu os franceses de que as ameaças terroristas ainda não acabaram e pediu «vigilância» a todos, ao mesmo tempo que apelou à tolerância religiosa.

Hollande destacou «a coragem, bravura e eficácia das forças de segurança», confirmando também que quatro pessoas perderam a vida no supermercado em Vincennes, sem especificar se eram reféns ou não. As autoridades policiais falam em cinco mortos, incluindo o atirador Amedy Coulibaly, que falou com a BFM TV enquanto estava barricado, adiantando já nessa altura que tinha matado quatro reféns.

Já o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, que falou poucos minutos depois do Presidente confirmou a conexão entre os crimes.

«Percebemos ontem à noite que há uma ligação entre o bárbaro massacre de Charlie Hebdo e a polícia morta em Montrouge»

Manuel Valls admitiu depois, à BFM TV, que é preciso tirar ilações do que aconteceu: «Quando há 17 mortos, há falhas». «Dezassete franceses mortos em três dias não acontecia há décadas», lamentou.

Voltando ao Presidente francês, Hollande advertiu que não pode haver nenhuma «facilidade» neste combate. França «resistiu», mas as ameaças continuarão, avisou. Por isso, a segurança será reforçada em todo o país. Se a França for obrigada a utilizar a «força», não hesitará. 

«França não cede a qualquer ato de pressão, não tem medo. Transportamos um ideal maior do que nós, que somos capazes de defender»


Hollande quis esclarecer, ainda, que «os fanáticos não têm nada a ver com a religião muçulmana», apelando à tolerância do país para com os cidadãos que a seguem.

«A unidade é a nossa melhor arma. Nada nos pode dividir»

Também o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, passou a mesma mensagem:

«A guerra é contra o terrorismo, não contra uma religião, não contra o Islão». «Quando atacamos um muçulmano, porque ele é muçulmano, quando atacamos um judeu porque é judeu, quando atacamos um católico porque é católico, atacamos a França, atacamos os seus valores» 


Domingo, pelas 15:00 locais (14:00 em Lisboa), terá lugar uma marcha pelos valores da liberdade, da democracia, do pluralismo, da igualdade e da fraternidade, em Paris. Vários líderes mundiais já confirmaram a presença, incluindo o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho e presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Hollande apela a todos que se unam ao propósito: