Um dos terroristas dos atentados de Paris terá tido um cúmplice que o acompanhou na rota dos Balcãs até à Europa ocidental, depois de ambos terem entrado na Grécia como refugiados. Esta é uma das linhas da investigação sobre os atentados de Paris, que foi revelada por responsáveis dos serviços secretos e da polícia à agência Reuters.

Logo no início da investigação, o passaporte sírio que foi encontrado junto ao corpo de um dos bombistas do Stade de France apontou para a hipótese de um dos bombistas se ter servido da crise de refugiados na Europa para chegar a Paris. Agora, ganha força a hipótese de que o suspeito viajou acompanhado.

As autoridades acreditam que o passaporte, que identifica um sírio de 25 anos chamado Ahmad al-Mohammad, de Idlib, foi roubado ou falsificado. O seu portador terá chegado a Leros num barco com 198 pessoas a bordo, que tinha partido da Turquia.

O procurador francês sublinhou que as impressões digitais do atacante, que se fez explodir junto ao estádio em Paris, correspondem às impressões de um refugiado registado na Grécia.

Esta terça-feira, a polícia francesa divulgou a imagem de um dos bombistas e pediu ajuda à população para o identificar. Um oficial confirmou à Reuters que se trata precisamente do homem que é suspeito de ter entrado pela Grécia como refugiado e sob uma identidade falsa.

 
No domingo, as autoridades gregas informaram que o suspeito não viajava com ninguém em específico. Mas na Macedónia, a opinião é bem diferente. Uma fonte dos serviços secretos do país revelou à Reuters que “há uma investigação massiva em curso" nos países dos Balcãs "sobre a rota de dois dos terroristas” de Paris.

Segundo a mesma fonte, o atacante que usou o passaporte encontrado estava acompanhado de outro homem e ambos compraram bilhetes do porto de Piréus para o continente grego. A fonte, que pediu o anonimato, disse que a investigação está a ser coordenada com as autoridades gregas.

Há outras informações que apoiam esta hipótese. O dono da empresa que realiza as viagens em Leros, Dimitris Kastis, disse que se lembra de vender bilhetes a “Mohammad”, o nome que consta no documento usado, e a um outro homem que estava com ele. Ambos pagaram em dinheiro.

“Ele não fez nada, nem disse nada e isso captou a minha atenção."


Mais, uma fonte da polícia croata revelou à agência Reuters que há uma investigação em curso sobre a rota do suspeito até Paris e um dos objetivos dos peritos é apurar se o homem viajava sozinho ou acompanhado, pois essa é uma hipótese que está a ser muito considerada.