Um ataque com uma granada contra soldados franceses, que deixou civis feridos, marcou esta terça-feira o início da visita oficial do presidente francês, Emmanuel Macron, ao Burkina Faso, onde, na capital, estão a decorrer confrontos entre o exército e manifestantes.

Segunda-feira à noite, duas horas antes da chegada de Macron a Uagadugu, dois indivíduos a bordo de uma motorizada lançaram uma granada contra um veículo militar francês no norte da capital burkinabé, que acabou por ferir três civis, um deles com gravidade.

Ainda não reivindicado, o ataque ocorreu às 20:00 locais, longe do aeroporto – o presidente francês chegaria ao país às 22:30 locais -, e provocou o destacamento de um importante dispositivo militar de segurança para o centro de Uagadugu.

O veículo militar francês dirigia-se para Kamboinsé, onde se situa o “quartel-general” das forças especiais francesas estacionadas no Burkina Faso.

Esta terça-feira de manhã, já com Macron no país, dezenas de manifestantes ergueram barricadas e incendiaram pneus na principal estrada de Uagadugu que liga o centro da cidade à universidade da capital, onde o Presidente francês fez uma intervenção perante cerca de 800 estudantes.

Empunhando cartazes com palavras de ordem como “abaixo a exploração de África pelo Ocidente”, os manifestantes bloquearam vários veículos automóveis que se dirigiam para a universidade de Uagadugu, mas não conseguiram travar a caravana presidencial, protegida pelas forças antimotim.

Macron inicia no Burkina Faso uma digressão por três países africanos, seguindo quarta-feira para Abidjan (Costa do Marfim), onde vai decorrer, até quinta-feira, a 5.ª cimeira entre a União Europeia (UE) e África, segundo, depois, para o Gana, visitas em, que pretende marcar uma “nova etapa” na relação entre França e o continente africano.

A França, antiga potência colonial, mantém uma cooperação militar ininterrupta com as autoridades burkinabés desde que o Burkina Faso, então como Alto Volta, acedeu à independência, em 1960.