O procurador François Molins revelou sexta-feira à tarde, em Paris, ser Karim Cheurfi, um francês de 39 anos, o atirador que matou um polícia e feriu gravemente dois outros na avenida parisiense dos Campos Elísios.

Na comunicação à imprensa, o procurador revelou ter sido encontrada no corpo do atirador uma nota atribuída ao autointitulado Estado Islâmico, que aproveitou para reinvindicar o atentado. O atacante foi abatido pela polícia após ter disparado com uma metralhadora Kalashnikov sobre outros agentes.

De acordo com Molins, durante os largos anos em que Karim Cheurfi esteve preso não se lhe conheceram sinais de radicalização islâmica.

Cheurfi fora detido em fevereiro, na sequência de uma investigação sobre indícios de que teria dito pretender matar polícias e adquirido armas.

O procurador confirmou ainda que as autoridades francesas continuam a investigar eventuais cúmplices de Karim Cheurfi. 

Através da rede Twitter, vários órgãos de comunicação europeus divulgaram uma foto, com data desconhecida, do atirador francês.

"Extremamente perigoso"

Antes de ser confirmada oficalmente a identidade do atirador, a imprensa francesa já adiantara tratar-se de Karim Cheurfi, o homem que matou um polícia e feriu outros dois em plenos Campos Elísios.

AO MINUTO: ataque contra polícias em Paris

O jornal Le Monde escreveu que Karim Cheurfi era um homem de 39 anos que vivia nos subúrbios de Paris, descrito como um "indivíduo extremamente perigoso e violento" por fonte da polícia.

Karim era conhecido das autoridades e já tinha sido acusado de três tentativas de homicídio por atos contra agentes da autoridade.

O mesmo jornal precisa que, em 2001, Karim disparou contra um polícia e o seu irmão, depois de ter roubado um carro. Também nessa altura, e durante o período em que esteve sob custódia policial, atacou um agente de segurança, tirando-lhe a arma e disparando contra ele cinco vezes. O segurança ficou com ferimentos graves nos pulmões.

Foi condenado, em 2005, a uma pena de 15 anos de prisão, mas acabou por ser libertado no início de 2015. 

Em fevereiro deste ano foi novamente detido para interrogatório por ter feito ameaças de morte a membros das forças de segurança. Foi libertado, mas ficou nos radares dos serviços secretos.

Reinvindicação do Daesh

Logo depois do tiroteio ter abalado a capital francesa, o Estado Islâmico reivindicou o ataque. O grupo extremista emitiu um comunicado através da sua agência de notícias, a Amaq, afirmando que um dos seus "soldados" tinha sido o autor do ataque. Os jihadistas identificaram o "soldado" como sendo Abu Yousif al-Belgiki, que significa "O belga" em árabe.

A hipótese de o atirador ser um cidadão belga foi desmentida pelo ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon. O governante adiantou,  à televisão VRT que o atirador era um cidadão francês. 

Na sequência do ataque, a polícia efetuou buscas na residência de Karim, em Seine-et-Marne. Três familiares foram detidos, de acordo com a agência Reuters.

Um segundo suspeito de envolvimento no ataque, que era procurado pelas autoridades francesas, entregou-se em Amberes, na Bélgica, mas não terá qualquer ligação aos acontecimentos que ocorreram na capital francesa, como confirmou um procurador de Antuérpia à AP.

O homem que se entregou à polícia ontem viu a sua imagem na redes sociais como suspeito de terrorismo."

De resto, o ministro da Justiça belga, Koen Greens, afirmou, em declarações à VRT, que "até ao momento, não há informações sobre ligação a cidadãos belgas".