As autoridades britânica já identificaram oficialmente os três terroristas que espalharam o pânico em Londres no passado sábado, vitimando mortalmente sete pessoas e deixando 48 feridas. Dois nomes foram revelados segunda-feira e o outro foi conhecido esta terça-feira, pouco tempo depois de um jornal italiano divulgar em primeira mão o seu nome: Youssef Zaghba

Agora com todos os nomes conhecidos, começam também a surgir mais pormenores da vida dos extremistas que foram abatidos pelas autoridades.

O "tipo porreiro"

Khuram Shazad Butt, de 27 anos, já era, de facto, conhecido da polícia. Era filho de imigrantes paquistaneses e fã do clube de futebol Arsenal. As suas opiniões extremistas eram conhecidas e este já tinha sido denunciado às autoridades. Até em duas mesquitas que frequentava lhe tinha sido pedido que não entrasse.

Apoiante declarado do grupo radical islamita al-Muhajiroun, com base no Reino Unido, segundo revela o jornal britânico The Guardian foi visto, no mês passado, a apelar à população do leste de Londres para não votar nas eleições do próximo dia 8 de junho.

Apesar de ter nascido no Paquistão, Khuram Butt foi criado como britânico e tinha um típico sotaque londrino. Depois de revelarem a sua identidade, a Polícia Metropolitana de Londres admitiu que, em 2015, tinham aberto uma investigação à sua pessoa. Assumiram ainda que receberam chamadas telefónicas de elementos da população preocupados. Todavia, não foram recolhidos elementos que indicassem a sua participação em atividades terroristas ou que um ataque estivesse iminente.

Ainda segundo o The Guardian, Khuram Butt também dava pelo nome de Abu Zaitun e, para os amigos do ginásio onde treinava e das mesquitas que frequentava, era simplesmente Abs. Seria casado e tinha dois filhos, um com três anos e outro recém-nascido. Chegou mesmo a trabalhar na rede de transportes londrinos durante algum tempo. Em concreto, no ano passado, esteve seis meses a estagiar no Metro de Londres, nos serviços de apoio aos clientes. Mas também passou por uma cadeia de restaurantes de fast food.

Nos últimos anos, a sua aproximação fundamentalista à religião deixou várias pessoas preocupadas. Tal como a sua ligação ao grupo al-Muhajiroun, entretanto banido, cujo líder Anjem Choudary é suspeito de ter recrutado mais de 100 britânicos para a jihad. Foi também devido a este apoio declarado, que o imã da mesquita de leste de Londres, em Whitechapel, lhe pediu para não regressar ao espaço religioso. O mesmo acontecendo na mesquita de Barking, onde por diversas vezes interrompeu o líder religioso e perturbou os discursos. Corria o ano de 2015 e a polícia optou por abrir um inquérito.

No ano passado, o suspeito entrou num documentário dedicado a jihadistas britânicos realizado pelo Channel 4. Nas imagens é visto a discutir com a polícia depois de ter rezado frente a uma bandeira do estado islâmico no Regent parque, em Londres.

Este é o documentário emitido o ano passado:

Há vizinhos que o descrevem como “um tipo porreiro e sociável”, que jogava à bola e ténis de mesa no bairro onde vivia. Passava muito tempo com os adolescentes, só rapazes, e isso preocupava outros vizinhos. Uma vez organizou um churrasco e não convidou nenhuma mulher. Um facto que surpreendeu algumas pessoas.

Erica Gasparri, mãe de três filhos, foi uma das vizinhas que denunciou Khuram Butt às autoridades. Antes, confrontou o próprio vizinho depois de um dos seus filhos ter chegado a casa a dizer: “Mãe, eu quero ser muçulmano”.

Em declarações ao The Guardian, Erica recorda a resposta que ele lhe deu:

Estou pronto para fazer o que for preciso em nome Alá. Em nome de Alá estou pronto para fazer o que for preciso fazer incluindo matar a minha mãe”

Perante estas palavras, a vizinha do atacante tirou quatro fotos de Butt e foi à polícia de Barking. “Eles ligaram à Scotland Yard há minha frente. Depois pediram-me para apagar as fotos para minha própria segurança. Isto foi há dois anos e nunca soube de nada. Nunca ninguém voltou a falar comigo. Se tivessem, talvez isto pudesse ter sido evitado e algumas vidas salvas”, lamenta.

Ela não foi a única a contactar a polícia, outros vizinhos o fizeram. Nos últimos meses, foi notada a crescente presença de homens com vestes muçulmanas na sua casa. Na verdade, ele não gostava de socializar com o sexo feminino e a sua mulher andava sempre com o rosto coberto.

A carrinha branca usada para atropelar pessoas na London Bridge foi vista pela vizinhança na sexta-feira e também no sábado. Seria difícil não reparar nela, já que segundo um vizinho, Michael Mimbo, “estava a bloquear uma estrada e os carros não conseguiam passar. Até houve alguma discussão”, escreve o The Guardian. 

Ainda no sábado, dia do ataque, também conduziu em sentido contrário, numa rua de sentido único cheia de crianças e os vizinhos estranharam o comportamento.

Rachid Redouane, um chef que viveu e trabalhou na Irlanda

O segundo atacante, Rachid Redouane, tinha 30 anos de idade. Também o nome de Rachid Elkhdar e uma idade diferente, 25. Terá naturalidade marroquina/Líbia. Tal como Khuram Butt, residia num subúrbio de Londres.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, Rachid Redouane era chef, especialista em pastelaria, e vivia em Dublin, na Irlanda. Depois de abatido no sábado à noite, as autoridades encontraram, no seu corpo, um "documento de identificação" de origem irlandesa.

O documento teria sido passado pelos serviços de migração do país, onde este residiu nos últimos cinco anos e, na verdade, as autoridades nunca o tinham sinalizado até ao atentado do último sábado. A sua mulher, e mãe de uma menina de 18 meses, estava entre as 12 pessoas detidas domingo passado. Todas foram libertadas sem qualquer acusação.

Charisse O’Leary casou com Rachid Redouane, em 2012, mas nunca se converteu à religião do marido, escreve o The Guardian. A britânica, era assistente social e, recentemente, o casal tinha-se separado. Charisse O’Leary queixou-se, nas redes sociais, que o marido não visitava a filha e uma amiga diz que foi devido a discordarem "da melhor forma de educar a menina que se tinham afastado".

Segundo as autoridades irlandesas, Rachid Redouane estava a viver em Rathmines, arredores de Londres, há cerca de três meses. Na realidade, enquanto viveu na Irlanda, o atacante nunca foi investigado. Sobre ele, ao contrário de outras pessoas que estão sob a atenção das autoridades, não havia suspeitas.

Um filho de pai marroquino e mãe italiana

Sobre o terceiro atacante ainda há poucas informações. Chama-se Youssef Zaghba, tinha 22 anos, e é filho de pai marroquino e mãe italiana. A informação foi avançada pelo jornal italiano Corriere Della Sera e confirmada, pouco tempo depois, pela polícia britânica.

Segundo o jornal italiano, que cita fonte dos Serviços Secretos italianos, Youssef Zaghba foi detido em Itália, em 2016, no aeroporto de Bolonha, a tentar viajar para a Síria. As autoridades italianas dizem que avisaram o Reino Unido "das suas movimentações". Mas não só. Marrocos também foi avisado das constantes viagens. No entanto, a Polícia Metropolitana de Londres diz que este nunca tinha sido investigado e "não era uma pessoa de interesse" em nenhum inquérito.

Imãs não querem realizar cerimónias religiosas

Mais de 130 imãs e líderes religiosos, da região de Londres, já fizeram saber que não estão disponíveis para a realização das cerimónias fúnebres dos três atacantes.