Não parecia estranho. Aliás, parecia apenas mais um drone, como as dezenas que o autoproclamado Estado Islâmico (EI) faz voar para reconhecimentos aéreos de terreno. Assim, os combatentes curdos que lutam contra o grupo terrorista no norte do Iraque deitaram abaixo o aparelho para ser examinado na base da milícia.

No caminho, pouco depois de o recolherem, o drone explodiu. Dois mortos. Terá sido a primeira vez que o EI conseguiu executar alvos com drones explosivos.

O mortífero ataque desta semana fez soar o alarme no Pentágono. Em setembro, os militares norte-americanos já tinham alertado a coligação que combate o grupo radical islâmico na zona para encarar qualquer pequena aeronave como um engenho explosivo. Tinham razões para tal: em pelo menos duas outras ocorrências nos últimos dois meses, ambas no Iraque, os terroristas tinham tentado cometer este tipo de ataque.

Os drones do EI têm sido uma dor de cabeça para militares e serviços de informação dos Estados Unidos. Além do Pentágono, também a Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla inglesa) já designou equipas especiais que estudam formas de travar o problema.

A morte de dois combatentes curdos veio ilustrar a nova ameaça: a organização terrorista está a servir-se de tecnologia fácil de obter para transformá-la numa arma. O EI usa pequenos drones como o DJI Phantom, que pode ser adquirido na Amazon, por exemplo. Depois, modificam-nos, juntando-lhes explosivos, e fazem da aeronave uma bomba, pilotada e pronta a ser detonada à distância. A ameaça do engenho não é facilmente reconhecível: a carga explosiva pode ser camuflada, assemelhando-se a uma bateria.

Durante o verão, múltiplos relatos de forças norte-americanas na região deram conta de pequenos drones a sobrevoarem perto das bases mas também nas frentes de combate, como no norte do Iraque. Só nos últimos 18 meses, o exército dos Estados Unidos concluiu oito ataques aéreos destinados a destruir drones do EI.