Vanessa Gonçalves tem 23 anos e vive em Paris há quatro. Descreve o último dia 7 de janeiro como «aterrador». Diz que os sentimentos que se partilham em França são de tensão e de medo. As escolas têm o recreio fechado e a população tem medo de que «haja bombas nos transportes públicos».

«Nota-se um olhar diferente, um clima diferente, o medo é constante», reforça Vanessa, em declarações telefónicas ao TVI24.


A jovem estava num centro comercial, não muito longe da redação do «Charlie Hebdo». Ouviu os tiros e presenciou todo o aparato. «Ouvimos os tiros e, numa fase inicial, nunca pensámos que fosse um atentado», afirmou a portuguesa.

O ataque aconteceu na quarta-feira, pelas 11:30, na Rua Nicolas-Appert, número 10. Morreram 12 pessoas e 11 ficaram feridas.

«Eles ameaçaram matar para entrar nas instalações. A senhora que abriu a porta tinha uma criança ao colo e eles matavam a sangue frio», recordou Vanessa.


A polícia chegou rápido ao local para tentar controlar a situação, disse a portuguesa: «Demoram apenas cinco minutos». Mas a situação já não se podia controlar.

As autoridades elevaram os níveis de alerta após o atentado e lançaram uma caça ao homem com mais de 88 mil efetivos nas ruas.

A ameaça já se estendeu a mais países. Mas são os franceses que vivem intensamente o sentimento de perigo e de medo. França tem cerca de 6 milhões de imigrantes como Vanessa e são esses que temem pelo futuro.

Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, disse esta quinta-feira ao canal de televisão France 2 que se for eleita para presidência, quer «oferecer aos franceses a possibilidade de se exprimirem acerca do assunto».

Vanessa despede-se ao dizer que «por enquanto ainda há consenso político e não usam este drama uns contra os outros. O país está de luto e traumatizado. Mas os franceses querem uma França unida».