Notícia atualizada às 20:20

O homem que manteve refém, durante sete horas e meia, o funcionário de um hotel no centro de Brasília, o Saint Peter, já se entregou às autoridades. Embora tenha feito uma série de exigências políticas para desistir do sequestro, que envolveu um colete de explosivos, acabou por desistir. Segundo a polícia, entregou-se porque percebeu que poderia ser morto se continuasse com o sequestro.

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Para além de ter algemado o funcionário, tinha-lhe colocado um colete que aparentemente continha explosivos, ao mesmo tempo que autoproclamava o seu ato como terrorista. Levou o refém até uma das varandas do hotel, onde apareceu com uma pistola na mão. Fez exigências políticas, como a demissão de Dilma Roussef da Presidência do Brasil, segundo a imprensa brasileira. 

Cerca de 100 operacionais das polícias civil, militar e federal, bem como dos bombeiros, isolaram o local e cerca de 300 hóspedes foram retirados do hotel. O sequestrador - que  o jornal «Estadão» diz ser Jac Souza dos Santos, 30 anos, ex-vereador pelo PP na região brasileira de Tocantins -, tinha  feito um ultimato, com fins políticos:  exigia a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti e a aplicação prática da Lei da Ficha Limpa até às 18h locais (22h em Portugal). 

Antes da detenção, a polícia adiantou que tinha «quase certeza que são explosivos: 98%». Palavras do diretor de comunicação da Polícia Civil, o delegado Paulo Henrique de Almeida, citado pelo jornal «O Globo». 

«O que a gente percebe é que ele está a ficar irredutível. Nem está a negociar mais», afirmou a polícia.  O diretor de comunicação da Polícia Civil disse também que o sequestrador deixa claro que tanto ele como o refém vão morrer. O refém está fisicamente bem, apesar de abalado psicologicamente.

O homem terá feito o check-in por volta das 5h30 (hora brasileira). Subiu para o 13º andar e bateu de quarto em quarto a ordenar aos hóspedes que descessem. E prontamente explicou que se tratava de um ato terrorista. Fez refém o funcionário já perto das 9h.

A negociação foi comandada pela Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil, com três operacionais em contacto com o sequestrador. Um deles é especialista em explosivos. Falaram diretamente com Jac Souza dos Santos, de viva voz, junto à porta do quarto. 

O homem será agora encaminhado para a esquadra. O funcionário do hotel que foi feito refémdeixou o local num carro da polícia, na companhia da mulher, e foi para casa. Segundo a polícia, estava tranquilo e disse que não sofreu agressão.