Comentários desapropriados, olhares, assobios, gestos sugestivos, até mesmo pedir o número de telefone a uma mulher podem passar a ser crime em França.

A secretária de Estado para a Igualdade de Género quer acabar com o assédio nas ruas francesas e, por isso, constituiu nesta semana um grupo de trabalho, para elaborar uma nova legislação e diminuir o comportamento abusivo sobre as mulheres em espaços públicos.

A ideia é caracterizar o assédio sexual nas ruas para que a polícia possa impor multas aos homens que seguem as mulheres nas ruas, que as intimidam e que as assediam em espaços públicos. É uma luta cultural para reduzir o consenso tácito de aceitação da violência”, justificou Marlène Schiappa, em entrevista à rádio francesa RTL.

O grupo, criado através dos “ministérios do Interior e da Justiça”, é composto por cinco deputados "transparentes e de diferentes famílias políticas”.

O objetivo é “propor uma lei que considere o assédio nas ruas uma infração, garantindo que não será mais tolerado na sociedade”, como explicou Marlène Schiappa à RTL.

Quando questionada sobre a viabilidade das propostas, como, por exemplo, a aplicação de multas aos infratores, a governante respondeu: “Não só é viável, como vamos fazê-lo”.

Marlène Schiappa já tinha defendido, anteriormente, que deviam ser aplicadas multas elevadas aos homens que assediassem mulheres em público.

Vinte euros seria um pouco humilhante, 5.000 euros seria mais dissuasivo”, disse, em declarações ao The Guardian, em junho.

Desde que assumiu o cargo de secretária de Estado para a Igualdade de Género, em maio, Marlène Schiappa definiu a questão do assédio de rua, que descreve como uma "área cinzenta entre a sedução consentida e a agressão sexual", como uma das suas prioridades.