Ashya King, o menino britânico com um tumor que os pais quiseram submeter a um tratamento menos agressivo do que a radioterapia, abandonou esta sexta-feira o Proton Therapy Center, em Praga, na República Checa, onde esteve a receber uma terapia inovadora na disseminação e cura do cancro desde meados de setembro.




Ashya, de cinco anos, recebeu trinta sessões de tratamento com recurso a protões e teve agora alta do centro hospitalar checo, mas vai continuar a ser seguido pelos médicos em Espanha, embora vivesse no Reino Unido.

Os pais não voltam para lá com o menino. Afinal, eles desafiaram o sistema nacional de saúde britânico que prescreveu sessões de radioterapia à criança. Os pais não foram ouvidos nesta decisão e, perante, a intransigência dos médicos britânicos a submeterem a criança a um tratamento alternativo, resolveram retirá-lo do hospital sem alta médica e saíram do país.

O Reino Unido emitiu um mandado de captura para os pais da criança. O casal de Portsmouth, Brett e Naghmeh King, foi detido num hotel em Espanha, após denuncia dos empregados que os reconheceram pelas fotografias reiteradamente divulgadas nos media.

Indiciados por rapto, foram detidos e presentes a um juiz espanhol que aceitou as justificações dos pais e decidiu-se pela libertação do casal. Por seu turno, as autoridades britânicas também retiraram a queixa e Ashya King viajou de Espanha para a República Checa, como os pais desejavam, para receber o tratamento à base protões.

No primeiro diagnóstico, os médicos deram 70 por cento de hipóteses de sobrevivência ao pequeno Ashya. Concluído o tratamento no centro hospitalar de Praga, os médicos não podiam estar mais satisfeitos.
Ao fim da quarta semana, a sonda que alimentava o menino foi retirada e ele começou a comer normalmente. Ao mesmo tempo que recebia o tratamento com protões, também fez sessões de reabilitação que permitem concluir agora que Ashya «não tem que ficar de cama, ele é capaz de se sentar e segurar a cabeça, reage com interesse ao ambiente e às pessoas em redor». Ashya melhorou bastante a motricidade e «agora pode brincar», como explicou Iva Taťounová, diretora do PTC, na página da instituição.




Depois da festa de despedida no centro hospitalar de Praga, Ashya vai viajar com a família para Espanha, onde um dos maiores especialistas em oncologia, vai determinar o tratamento seguinte. Talvez volte a Praga. O caminho ainda pode ser longo para esta criança e, talvez, só daqui a alguns anos se possa dizer se está ou não curado, reconhece o PTC.

Apesar de Ashya e os pais não regressarem para já ao Reino Unido, o NHS (equivalente ao SNS) decidiu pagar o tratamento do menino além-fronteiras e anunciou que em 2018, o tratamento do cancro com recurso a protões será possível naquele país, anunciou a diretora do hospital checo.

Brett King, o pai, disse, em declarações ao «The Guardian», que todos os pais devem estar conscientes de que a escolha de um tratamento pode influenciar o destino dos filhos. «Devemos sempre questionar-nos se temos toda a informação e assegurar-nos de que os nossos filhos recebem o melhor tratamento. Os médicos nem sempre sabem tudo ou podem estar a responder a interesses corporativos ou pessoais. Eu fiz a minha pesquisa, tomei a minha decisão e estou muito contente».