Investigadores internacionais acreditam ter provas de que duas esculturas em bronze são da autoria do escultor e pintor Miguel Ângelo. A equipa de peritos atribui as obras à fase inicial da carreira, depois de completar a escultura de David e a pintura da Capela Sistina.

 

O Professor Paul Joannides, da Universidade de Cambridge, ligou os objetos a um desenho de um dos discípulos de Miguel Ângelo, em exposição no Museu de Fabre, em França. A ilustração, com 500 anos, mostra um jovem a montar uma pantera, que, segundo a instituição, muito se assemelha à pose das peças em bronze.

 

«Foi desenhado da forma abrupta e forte, que Miguel Ângelo empregava em projetos para a escultura. Isto sugere que Miguel Ângelo estava a trabalhar neste tema muito incomum para uma obra em três dimensões», diz o Professor.

 

Victoria Avery, do Museu Fitzwilliam, considera «muito excitante» a participação num «projeto inovador, que envolve vários historiadores de arte no Reino Unido, Europa e Estados Unidos».

 

Desde o século 19, pensa-se que as estátuas são da autoria de Miguel ângelo. Sem nenhuma documentação ou assinatura que confirmasse a hipótese, as peças ficaram na obscuridade. Se a teoria estiver correta, são as únicas do artista no mundo.

 

As esculturas estão em exibição no Museu Fitzwilliam, em Inglaterra, a partir desta terça-feira.

 

«As peças em bronze são obras de arte excepcionalmente poderosas e imperiosas, que merecem um estudo aproximado. Esperamos que o público venha examiná-las por si próprio e se envolva no debate em curso», diz Victoria Avery.