Arndt Meyer foi considerado, em 2009, o caçadores de atrizes, depois de ter tentado matar a atriz espanhola Sara Casasnovas com uma besta. O alemão, que foi condenado a uma pena de oito anos de prisão por tentativa de homicídio da atriz, no exterior do Teatro Reina Victoria, em Madrid, acabou expulso pela Espanha, em maio de 2017.

A decisão de expulsar o alemão, de 48 anos, deveu-se ao facto de a polícia ter descoberto, na sua cela, uma coleção de fotos de Sara Casasnovas e outras sete jovens atrizes e por as autoridades considerarem que estas corriam perigo com o suspeito em liberdade.

Segundo um comunicado da polícia, citado pelo El Pais, Arndt Meyer colecionou em segredo fotografias de 21 jovens, 18 delas espanholas e quatro a residir nos EUA, a que se juntam as oito atrizes de que o alemão tinha fotografias na sua cela de Estremera.

No entanto, apesar de todas as atrizes correrem risco, e do Ministério do Interior espanhol ter enviado para o tribunal que está a julgar o caso um documento com todos os dados pessoais das 21 mulheres, a nenhuma delas foi dada a condição de testemunha protegida. De acordo com um porta-voz da polícia, o juiz apenas pediu que fossem identificadas. Já um porta-voz do tribunal diz que o documento serve apenas para identificação das atrizes e não para lhes garantir proteção.

"Não percebo porque é que não fomos avisadas sobre esta circunstância séria”, afirmou uma das atrizes ao jornal espanhol.

A defesa de Sara Casasnovas e o Ministério Público pediram ao tribunal de Madrid que o caso seja reaberto e que as informações pessoais das 21 atrizes sejam excluídas do relatório do Comissário Geral da Polícia Judicial. O advogado da atriz, Carlos Castresana, defende que Schultz R., um trabalhador de uma instituição religiosa sem fins lucrativos com ligações à embaixada alemã em Espanha, deve ser interrogado. Castresana suspeita que possa ter sido ele a fornecer as imagens das atrizes a Meyer nas visitas regulares que lhe fazia na prisão.

“Não foram feitas as diligências imprescindíveis para poder estabelecer de que forma conseguiu as fotografias que tinha na cela e para comprovar se pode contar com a colaboração de outras pessoas", pode ler-se no recurso de Castresana.

Segundo o El Pais, a juíza que retomou o caso proferiu-o provisoriamente, mas não concedeu a condição de testemunha protegida a nenhuma das 21 atrizes que foram, posteriomente, identificadas no álbum do alemão. Algumas destas mulheres participaram nos prémios Goys sem saberem que eram os novos alvos de Meyer. Uma delas questionou mesmo "porque é que ninguém" as avisou.

"Eu conheço Sara Casasnovas. Sei o que ela sofreu por causa deste caso. Nunca imaginei que eu também estava na lista. Porque é que ninguém nos disse?“

No seu recurso, advogado de Sara Casasnovas realça mesmo o risco que as 29 atrizes que faziam parte do álbum de Meyer corriam. Nos documentos encontrados, para além das fotos foram encontrados vários comentários "de caráter sexual, mórbidos e depreciativos, dirigidos para ações de aproximação e assédio a estas mulheres". 

Já nas fotografias encontradas na cela do alemão existiam comentários que as autoridades consideraram inquietantes - "Esta devia ser a cara da minha mulher" ou "este corpo, pele e tipo de Ana é exatamente o meu tipo" - e que fez a direção da prisão de Estremera, em Madrid, considerar a atitude do recluso de uma "obcessão doentiva" e de ser "extremamente perigoso".