O parlamento alemão aprovou, na quinta-feira, o reconhecimento do massacre de milhares de Arménios por parte das forças do Império Otomano (Turquia), durante a primeira guerra mundial, como um genocídio.

Segundo a AFP, a resolução foi aprovada com maioria absoluta, com apenas um voto contra e uma abstenção.

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Estima-se que entre 600 mil e 1.5 milhões de arménios e outras minorias tenham sido mortos e deportados do Império Otomano em 1915. Apesar de já ter passado mais de um século, o governo turco recusa-se a usar o termo para descrever o que aconteceu, e alega que várias etnias foram mortas naquela altura, incluindo turcos.

Depois da França ter aprovado uma resolução semelhante em 2011, foi agora a vez da Alemanha se juntar a um conjunto de apenas 20 países que reconhecem os assassinatos como genocídio (Portugal não está na lista).

Após a aprovação, a Turquia ordenou o regresso ao país do seu embaixador na Alemanha – em semelhança ao que aconteceu na França.

Na rede social Twitter, o vice-primeiro-ministro Numan Kurtulmus afirmou que o “parlamento alemão cometeu um erro histórico” ao reconhecer o genocídio, decisão que não é compatível com a amizade entre a Turquia e a Alemanha.

Este é um assunto que deve ser analisado por cientistas e historiadores, não por políticos dos parlamentos”, escreveu Kurtulmus.

 

Por sua vez, o recém eleito primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, afirmou que a Turquia e a Alemanha são “dois aliados importantes” e que o reconhecimento não vai destruir as relações bilaterais.

Alemanha e Turquia são dois aliados importantes. Ninguém deve esperar que as suas relações de repente se deteriorem completamente por causa dessa decisão ou de decisões semelhantes", disse Binali Yildirim durante uma conferência de imprensa em Ancara.

"Isso não quer dizer, porém, que não vamos reagir, que não vamos dizer nada", acrescentou.