Barack Obama defendeu esta sexta-feira, em entrevista à CNN, a decisão dos Estados Unidos em não intervir militarmente na Síria, admitindo, porém, que a atenção norte-americana sobre o conflito será importante para o seu fim.

«Penso que é justo afirmar que isto é algo que vai exigir a atenção da América e, esperançosamente, de toda a comunidade internacional», afirmou o presidente dos EUA.

O vídeo do ataque químico na Síria que todos deveriam ver

Uma entrevista que surge dois dias depois do alegado ataque com armas químicas em Damasco sobre civis e que terá vitimado 1.300 pessoas, de acordo com os opositores do regime de Bashar al-Assad.

Obama garantiu que os Estados Unidos, em conjunto com os inspetores das Nações Unidas, estão a recolher informações sobre o ataque, mas que dados preliminares apontam para «um acontecimento preocupante de grandes proporções»

«Está a tornar-se problemático. O conflito começa a atingir alguns interesses dos Estados Unidos, tanto no que respeita ao controlo das armas de destruição massiva, como na necessidade de protegermos os nossos aliados e as bases na região», considerou.

No entanto, há um ano, Barack Obama disse que o que separava os Estados Unidos de uma intervenção militar na Síria era a utilização de armas químicas ou a suspeita de que estariam a ser utilizadas. Uma «linha vermelha» que, entretanto, foi ultrapassada.

Mas o presidente norte-americano justificou a aparente passividade com as leis internacionais e com os custos de uma intervenção na Síria, numa altura em que os Estados Unidos ainda despendem milhões de dólares com o Afeganistão.

As declarações de Obama surgem, ainda, no mesmo dia em que a Rússia e os Estados Unidos tomaram uma posição conjunta sobre a realização de uma investigação objetiva sobre o alegado ataque com armas químicas.

Segundo o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, esta posição foi tomada na quinta-feira durante uma conversa telefónica entre Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, e o seu homólogo norte-americano, John Kerry.

«Foi manifestado o interesse comum na realização, pela missão de peritos da ONU que se encontra atualmente no país, de uma investigação objetiva das informações sobre o alegado emprego de armas químicas nos arredores de Damasco», lê-se num comunicado publicado pela diplomacia russa.