O Governo português congratulou-se, esta quarta-feira, com o anúncio da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) sobre a retirada de todas as substâncias químicas declaradas na Síria, e que vão ser destruídas fora do país.

«Trata-se de um momento importante para o multilateralismo e de um significativo contributo para a estabilidade regional e para a paz», refere em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).

O texto reafirma o apoio de Portugal aos esforços da comunidade internacional para a eliminação do material químico da Síria, e a disponibilidade do país para participar no patrulhamento aéreo do navio norte-americano «Cape Ray», onde vão ser destruídas as substâncias químicas mais graves.

O MNE recorda ainda a disponibilidade manifestada por Portugal «para explorar a possibilidade da utilização do porto da Praia da Vitória (Açores) no transbordo das substâncias para o navio "Cape Ray"».

«O Governo português reitera que as autoridades sírias devem cumprir escrupulosamente as obrigações resultantes quer da Convenção sobre Armas Químicas (CWC) quer da Resolução CSNU 2118 (2013) que endossou o Plano de destruição do programa sírio de armas químicas, aprovado em 27 de Setembro de 2013 pelo Conselho Executivo da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ)», conclui o comunicado.

A OPAQ anunciou na segunda-feira a saída da Síria das últimas armas químicas declaradas pelo regime à comunidade internacional, podendo iniciar-se o processo de destruição.

«No momento em que vos falo, o navio (que transporta as armas químicas) acabou de sair do porto de Latakia», disse na ocasião, em conferência de imprensa, o diretor executivo da OPAQ, Ahmet Uzumcu.

«A retirada das reservas de precursores e outros produtos químicos era uma condição fundamental do programa de eliminação das armas químicas sírias», acrescentou.

Até segunda-feira, a Síria tinha já retirado cerca de 92% das 1.300 toneladas de armas químicas que declarou, no âmbito de um acordo entre a Rússia e os Estados Unidos.

Os 8% que faltavam foram retirados através do porto de Latakia num navio dinamarquês que vai transferir as mais perigosas para o navio norte-americano «Cape Ray», especialmente equipado para as destruir por hidrólise. As outras serão destruídas na Finlândia, nos Estados Unidos e no Reino Unido.