O Governo de Itália divulga esta quinta-feira qual o porto em que se deverá realizar o transbordo do arsenal químico sírio para o navio onde será destruído, como anunciou na segunda-feira o Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano.

O anúncio decorre no mesmo dia em que o diretor geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), Ahmet Uzumcu, se encontra com a ministra dos Negócios Estrangeiros italiana, Emma Bonino, e vai ao parlamento italiano explicar como se fará a operação de transbordo do material químico.

Na terça-feira, fonte oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros português afirmou à Lusa que Portugal foi um dos países contactados pelos Estados Unidos da América, que «procuraram apurar a disponibilidade, junto de vários parceiros, de estruturas portuárias para a operação de transbordo do material químico transportado a partir da Síria num navio dinamarquês para um navio norte-americano».

Fonte do Palácio das Necessidades indicou que os contactos entre Portugal e as autoridades norte-americanas já decorrem há algum tempo e que são feitos no sentido de haver várias opções para a realização da operação, porque sendo Itália o local preferencial, como está no plano inicial, é preciso salvaguardar alternativas se alguma coisa falhar a nível logístico ou meteorológico.

«O Governo português, em articulação com o Governo regional dos Açores, e sempre norteado pela defesa dos interesses do país, efetuou consultas políticas internas e desenvolveu contactos exploratórios na hipótese de ser necessária uma instalação portuária nos Açores, formulando, designadamente, perguntas sobre fatores de ordem técnica, ambiental e de segurança, de modo a avaliar a existência de eventuais riscos desta operação», disse.

Na quarta-feira, a OPAQ afirmou desconhecer qualquer transbordo de químicos em Portugal, reiterando que a operação decorrerá num porto italiano.

Segundo fonte oficial do MNE, a informação sobre os contactos exploratórios entre Portugal e os Estados Unidos foi comunicada à OPAQ por fax na terça-feira e entregue na quarta-feira na sede da organização, em Haia (Holanda).

Os meios de comunicação italianos apontaram os portos peninsulares de Brindisi, Tarento e Gioia Tauro, e os de Augusta, na Sicília e Cagliari, na Sardenha, como possíveis locais para a operação.

O material químico começou a sair da Síria no passado dia 7, no âmbito de um acordo sobre o desmantelamento do arsenal de armas químicas do regime de Damasco, há mais de dois anos envolvido numa guerra civil que já fez mais de 130 mil mortos.

De um navio dinamarquês, e eventualmente outro norueguês, os químicos serão levados para o navio norte-americano MV Cape Ray, equipado com sistemas de hidrólise que permitirão diluir as centenas de toneladas de gás mostarda e e componentes que podem ser utilizados no fabrico de gás sarin e do agente nervoso VX.