A presidente da organização argentina de direitos humanos «Avós da Praça de Maio» (Abuelas de Plaza de Mayo), Estela de Carlotto, anunciou esta terça-feira que o neto Guido, que ela procurava há 36 anos, foi localizado.

«Agora tenho os meus 14 netos comigo. A cadeira dele e os porta-retratos deles que estavam vazios, já não estão mais. Eu vou abraçá-lo e quero olhar bem para ele. Já me disseram que se parece connosco, os Carlotto», disse a avó, que tem 83 anos, diante das câmaras de televisão.

De acordo com os órgãos de comunicação social argentinos, o jovem nasceu a 25 de agosto de 1978. Sabe-se agora que vive em Olavarría, é músico e tem o nome de Ignacio Hurban, embora já esteja a ser chamado Guido Carlotto.

A presidente da entidade é conhecida pela luta na busca de filhos de desaparecidos políticos e, como recordou, ajudou a «recuperar» 113 outras pessoas sequestradas e entregues a outras famílias ainda bebés durante a ditadura argentina (1976-1983).

A organização costuma veicular anúncios nas emissoras de rádio e de televisão e no jornal «Página 12», referindo que se alguém tem dúvidas sobre a própria identidade que procure a «Avós da Praça de Maio» e realize o exame de ADN.

De acordo com a BBC News, a «Avós da Praça de Maio» possui um amplo banco de dados genéticos de familiares das vítimas da ditadura. Foi a partir dessa base de dados que os outros bebés separados dos pais biológicos, e agora com mais de 30 anos, foram localizados.

«Ainda temos mais de 400 para serem localizados», disse a vice-presidente da entidade, Rosa Roisinblit, de 95 anos, sentada ao lado de Estela de Carlotto.

Guido, agora localizado, é filho de Laura, a filha desaparecida de Estela de Carlotto, que deu à luz quando estava no centro clandestino «La Cacha», durante a ditadura, e foi assassinada. O filho apresentou-se de forma voluntária, por suspeitar da sua identidade.

A presidente da «Avós da Praça de Maio» disse que ele falará à imprensa quando tiver vontade e pediu que respeitassem os prazos e a privacidade dele.

Na entrevista à imprensa, rodeada por outros jovens que foram criados por outras famílias, e que também tiveram a identidade confirmada no banco de dados da entidade, Estela de Carlotto contou que a Presidente Cristina Kirchner lhe telefonou e que «as duas choraram».