Adriana tem 40 anos e só esta terça-feira descobriu que os seus pais são Violeta Graciela Ortolani e Edgardo Roberto Garnier. Isto porque foi roubada depois dos seus pais terem sido sequestrados durante a ditadura na Argentina, tendo vivido como sendo filha biológica da família que a criou.

No entanto, segundo conta a Efe, depois dos pais adotivos terem morrido, alguém disse a Adriana que estes não eram seus pais. A argentina procurou de imediato a organização Avós da Praça de Maio - grupo que tenta encontrar os filhos daqueles que desapareceram durante a ditadura militar argentina entre 1976 e 1983 - e, graças a exames de ADN, conseguiu descobrir a identidade dos seus pais.

Estou feliz. Estou plena. A minha família está completa", afirmou Adriana, que nasceu em 1977 durante o cativeiro da mãe, em conferência de imprensa na sede da organização.

Depois de saber que não era filha dos pais que a criaram, Adriana procurou então a organização e teve de esperar quatro meses para encontrar a família biológica.

Pensar que tinha sido abandonada e viver com isto, a saber, aos 40 anos, que fui muito querida, procurada e que tenho uma família querida e uma avó! Não posso acreditar". 

Blanca Díaz de Garnier, a avó paterna, foi a grande ausente da conferência de imprensa que contou com tias, primas e amigos da família biológica. Os pais de Ariana, Ortolani e Garnier, eram militantes ativos e formaram parte da guerrilha Montoneros até serem sequestrados em La Plata, a 56 quilómetros de Buenos Aires.

 
Adriana com Estela de Carlotto

Apesar de ainda estar "em choque" com a notícia, a mulher decidiu dar a cara para que o seu testemunho "possa ajudar um empurrão a gente que tem dúvidas da sua identidade".

Estou muito orgulhosa. Não conseguiram, desta vez não conseguiram. O amor ganhou ao ódio. O amor é mais forte do que o ódio", acrescentou.

A líder da organização, Estela de Carlotto, mostrou-se emocionada com esta identificação e afirmou que a mesma chega como uma "benção" quando já há poucas Avós na luta.

Estes encontros enchem-nos de esperança e dão-nos força para redobrar a busca", afirmou De Carlotto.