Os ministros da Justiça e Interior da Bélgica reconheceram, esta quinta-feira, que existiram “erros” na forma como as autoridades lidaram com possíveis ameaças terroristas, referindo-se às informações divulgadas pela Turquia de que um dos bombistas de Bruxelas já tinha sido sinalizado pelas autoridades turcas, com o conhecimento da Bélgica e Holanda.

Estas informações, inicialmente desmentidas pelo ministro da Justiça da Bélgica, foram divulgadas pelo próprio presidente da Turquia na quarta-feira, em conferência de imprensa.

Tayyip Erdogan disse que Ibrahim El Bakraoui – o homem que se fez explodir no aeroporto de Bruxelas - foi detido na localidade de Gaziantep, junto à fronteira turca com a Síria, e deportado da Turquia, em junho. Neste país ficou sinalizado como possível terrorista do Estado Islâmico.

O homem, cidadão belga, foi então deportado para a Holanda - a seu pedido (como cidadão da UE tem direito a escolher o país para onde quer ir) - com o conhecimento das autoridades belgas, que, segundo a presidência da Turquia, terão ignorado os avisos sobre o facto de o homem poder ser um jihadistas.

“Apesar dos nossos avisos que esta pessoa era um terrorista, as autoridades belgas não conseguiram identificar uma ligação ao terrorismo", disse Erdogan numa conferência de imprensa em Ancara, na quarta-feira. 

Fonte oficial turca corrigiu a informação já esta quinta-feira, em declarações à Reuters. Ibrahim El Bakraoui foi deportado não uma, mas duas vezes. A segunda em agosto de 2015. 

As versões conflituosas da história de Ibrahim foram um dos motivos que quase conduziu à demissão dos ministros do Interior e da Justiça belga, Jan Jambon e Koen Geens, devido aos "presumíveis erros" na condução do dossier sobre terrorismo. Os ministros apresentaram a demissão, que não foram aceites pelo primeiro-ministro belga.

Agora, como escreve o New York Times, o ministro admite que podia ter sido feito mais.

O essencial desta história é que com as informações que foram transmitidas pela Turquia para a Bélgica, agimos muito lentamente, tendo em conta as circunstâncias. A informação foi recebida, mas não fizemos diligências, ou não fizemos as suficientes”, disse Geens.

Já o ministro do Interior disse ao jornal Le Soir, que existiram “dois tipos de erros: ao nível do ministério da Justiça e do [oficial belga] na Turquia”.

Holanda desmente que terrorista de Bruxelas tenha sido deportado duas vezes

Por sua vez, o ministro da Justiça da Holanda, Ard van der Steur, desmentiu, esta quinta-feira, que o terrorista que se fez explodir no aeroporto de Bruxelas tenha sido deportado da Turquia duas vezes, e que estivesse sinalizado como jihadista do Estado Islâmico pelas autoridades europeias.

Van der Steur não corrobora as informações avançadas pelo Governo da Turquia de que Ibrahim El Bakraoui havia sido deportado duas vezes, em julho e agosto de 2015, tendo as autoridades belgas e holandesas considerado que não havia motivos para a sua detenção.

“Confirmámos com os nossos colegas belgas, alemães e turcos, e [o nome] não estava registado nos nossos sistemas”, disse o ministro, em conferência de imprensa, segundo a Reuters.

Ard van der Steur acrescentou que o homem foi apenas deportado uma vez, em julho de 2015.