No país onde elas não podem conduzir e precisam da autorização do marido ou do pai para casar ou estudar, as mulheres vão votar pela primeira vez este sábado, data das eleições municipais.
 
Seja qual for o resultado nas urnas, cabe saber se as mulheres vão sair vencedoras. Segundo o Wall Street Journal, esta pode ser "areia atirada para os olhos" dos críticos internacionais, que defendem que aquele reino das arábias se deve tornar num país mais democrático.
 
A Arábia Saudita é uma monarquia absoluta, sem eleições legislativas. As municipais só foram instituídas em 2005. O rei Abdullah não se opõe à abertura da política às mulheres, embora haja alguma contestação dos homens sauditas.
 
De qualquer modo, as mulheres terão sempre pouco peso na decisão política destas eleições. Representam uma franja mínima do eleitorado, que só quer promover alimentação mais saudável nas escolas e pede para aumentar o número de creches. Afinal, num país com 31 milhões de habitantes –apesar de um terço serem imigrantes e sem direito de voto -, estão recenseadas apenas 130 mil mulheres.
 
A igualdade de género não existe. Agora. Salma al-Rashid, do movimento Al Nahda Society, que levou avante uma campanha a defender o direito de voto das mulheres, considera que “este é o primeiro passo. É o princípio para que as mulheres possam ter um papel mais ativo na sociedade”, disse ao WSJ.
 
Um otimismo que se fundamenta nas pequenas reformas que vão sucedendo no país, permitindo que as mulheres trabalhem, permitindo-lhes até ocupar lugares de chefia em empresas privadas.