O Kuwait convocou o seu embaixador no Irão, esta terça-feira, para discutir o conflito diplomático entre sauditas e iranianos. Uma medida que acontece depois da Arábia Saudita e dos países aliados do reino Bahrein e Sudão terem cortado as relações diplomáticas com Teerão, na segunda-feira.

As tensões entre os dois gigantes do Médio Oriente, Arábia Saudita e Irão, intensificaram-se no início do novo ano, depois de Riade ter executado o líder religioso xiita Nimr Baqer al-Nimr, uma voz contra o regime sunita. A morte despoletou a fúria das comunidades xiitas em vários países muçulmanos e motivou um ataque à embaixada saudita em Teerão.

O governo do Kuwait justificou a medida, declarando que o ataque à embaixada foi uma violação flagrante das normas internacional. Mas, para já, o país não retirou a sua representação diplomática do Irão.

Os Estados Unidos, as Nações Unidas e a Turquia já apelaram à calma entre os dois rivais, que disputam há anos a influência e o poder no Médio Oriente.

A comunidade internacional receia que a crise entre os dois países tenha reflexos nas negociações de paz para a Síria. Isto porque as duas potências apoiam lados opostos quer na guerra da Síria quer no conflito do Iémen.

Esta hipótese, no entanto, já foi afastada pelo reino. O embaixador saudita na ONU, Abdallah al-Mouallimi, afirmou, na segunda-feira, que Riade não vai “boicotar” as conversações.                

"Vamos continuar a trabalhar duro para apoiar os esforços de paz na Síria e no Iémen", garantiu al-Mouallimi.

 
Apesar da mensagem, que parece procurar tranquilizar os líderes mundiais, Riade endureceu a resposta ao Irão também esta segunda-feira. Todos as ligações aéreas com o Irão foram canceladas. 

Uma reunião da Liga Árabe com caráter de urgência, a pedido da Arábia Saudita, foi agendada para o próximo domingo.

O clima de hostilidade entre sauditas e iranianos perdura há décadas. O programa nuclear do Irão, por um lado, a morte de peregrinos iranianos em território saudita e as relações de Riade com o Ocidente, especialmente com Washington, por outro, são alguns dos motivos que têm servido de arma de arremesso entre as duas nações.

Desta vez foi a execução de um carismático líder religioso xiita pela Arábia Saudita a incendiar o conflito diplomático. Nimr Baqer al-Nimr, que estava detido desde 2012, foi um dos vários xiitas que participaram em protestos contra o regime executados ao lado de jihadistas ligados a organizações terroristas como a Al-Qaeda. 

A Arábia Saudita tinha anunciado as execuções no final do ano passado e, apesar de ativistas e organizações internacionais terem feito vários apelos, pedindo clemência, o reino mostrou-se irredutível e acabou por cumprir a ameaça.  

O líder supremo do Irão, Aiatolá Ali Khamenei, reagiu à execução do clérigo xiita, afirmando que a Arábia Saudita irá sofrer uma "vingança divina".