Um tribunal da Arábia Saudita condenou, no domingo, um proeminente advogado de direitos humanos a 15 anos de prisão e proibiu-o de viajar durante mais 15 anos depois disso por acusações relacionadas com ativismo.

De acordo com a agência de notícias saudita SPA, o Tribunal Criminal Especializado na cidade costeira de Jiddah considerou Waleed Abulkhair culpado de «minar o regime e as autoridades», «incitar a opinião pública contra o Governo» e «insultar o poder judicial». O tribunal, que foi criado em 2008 para julgar casos de terrorismo, multou ainda Abulkhair em 200 mil riyals (39 mil euros).

Waleed Abulkhair é também obrigado a fechar os sites relacionados com a organização que dirige: a «Monitor of Human Rights Saudi Arabia» (Monitor de Direitos Humanos na Arábia Saudita). O Governo diz que a organização opera de forma ilegal como uma organização não-licenciada que tenta incitar o público contra o Governo.

«Este é o preço que Abulkhair estava à espera de pagar na sequência da defesa dos direitos humanos e da luta pelos oprimidos», afirma a organização em comunicado, citado pela CNN.

Abulkhair apelou a reformas do Governo, nomeadamente a criação de uma monarquia constitucional, a libertação dos presos políticos e a expansão dos direitos das mulheres.

A mulher de Waleed Abulkhair disse à Associated Press que o marido rejeita o direito de recorrer da sentença. Abulkhair, que foi preso em abril, também se recusou a assinar o julgamento.

«Ele rejeitou o veredicto e recusou-se a apresentar um recurso, porque considera que o tribunal não é legítimo. Ele não vê este tribunal como legítimo», explica Samar Badawi.

Badawi diz que o marido foi julgado sob uma nova lei antiterrorismo que tem como alvo ativistas e proíbe todas as formas de dissidência política ou de apelo a reformas.

Samar Badawi deu à luz o primeiro filho do casal, uma menina, há um mês, enquanto o marido estava na prisão. A mulher diz que, apesar do nascimento da criança, ela apoia a decisão do marido de não recorrer da sentença.

«Ele não é um terrorista para ser julgado nesse tribunal», afirma. «Eu não estou apenas a falar como esposa. Eu falo também como ativista dos direitos humanos. Também eu rejeito este tribunal», remata.