O presidente do conselho executivo da Córsega, Gilles Simeoni, anunciou estar disponível para acolher o barco Aquarius, onde se encontram 629 migrantes, que navega no Mediterrâneo e que Itália e Malta recusaram receber.

Falta de comida, más condições climáticas e o porto espanhol muito longe: devido a esta emergência, o conselho executivo da Córsega propõe-se a acolher o Aquarius”, escreveu Gilles Simeoni, na sua página oficial da rede social Twitter.

A Espanha ofereceu-se, na segunda-feira, para acolher os migrantes para “evitar uma tragédia humanitária” e as autoridades estimam que o navio demore quatro dias a fazer o percurso que o separa de Valência.

Contudo, Antoine Laurent, responsável para as operações marítimas da organização não-governamental SOS Mediterranée, proprietária do navio, explicou à agência noticiosa Associated Press que chegar a Valência, a 750 milhas naúticas (1.400 quilómetros de distância) da atual posição do navio, “não é possível com 629 pessoas a bordo”.

O navio teria de ser reabastecido no mar, “o que não é fácil de organizar”, disse.

Por outro lado, a presença a bordo de 629 pessoas “é considerável para um navio como o Aquarius, que só tem 80 metros”, e a equipa médica a bordo é “muito reduzida”, disse o mesmo responsável à rádio FranceInfo.

O Governo de Itália recusou no domingo autorizar o Aquarius a desembarcar num porto italiano os migrantes, resgatados do mar em várias operações durante o sábado.

Por ordem das autoridades italianas, o navio mantém-se em alto mar, a 35 milhas de Itália e a 27 milhas de Malta, segundo a SOS Mediterranée.

Itália defendeu que deve ser Malta a acolher os migrantes, entre os quais há 123 menores, mas Malta sustentou que a responsabilidade é de Itália porque as operações de salvamento dos migrantes ocorreram numa zona marítima coordenada por Roma.