A região de Silicon Valley, nos Estados Unidos da América, é uma das incubadoras tecnológicas do mundo, e é conhecida por se mover rápido e quebrar padrões, mas a Apple pode começar a desejar que seus funcionários diminuam a velocidade para não se “quebrarem”, ou à nova sede da empresa, que custou mais de 4 mil milhões de euros.

De acordo com documentos e fontes, citados pelo site MarketWatch, a gigante tecnológica tem estado a braços com um problema no Apple Park: a quantidade abundante de vidro, que carateriza a construção, faz com que, sobretudo no interior, os funcionários estejam a embater nas paredes e nas portas deste material e, em alguns casos, de forma bastante violenta.

A empresa, também famosa pelo seu design inovador, já teve que lidar com, pelo menos, dois incidentes com trabalhadores, dos 12 mil que ali trabalham, que embateram nos vidros, incorrendo em lesões suficientemente graves para justificar a chamada dos serviços de emergência locais nos primeiros dias de o novo campus "espacial", diz o mesmo site. Em alguns casos, os incidentes resultaram em cortes menores, sem necessidade de hospitalização, mas o número de feridos pode ser maior já que, nas redes sociais, há relatos que falam, por exemplo, de sete pessoas feridas.

Embora a questão pareça humorística, há a possibilidade da Apple estar a incumprir com os regulamentos relacionados com a segurança no trabalho. É que a lei da Califórnia exige que "os funcionários sejam protegidos contra o perigo de caminharem em direção a vidros, por barreiras ou por marcações visíveis", o que poderá não estar acautelado, de acordo com os dados da Administração de Segurança e Saúde do Trabalho dos EUA.

Se a Apple violou a lei, poderá estar sujeita a multas e outras medidas para garantir que cumpre e altera a situação, de acordo com uma porta-voz do Departamento de Relações Industriais da Califórnia.

O edifício, inaugurado o ano passado, tem 260 mil m2 e o formato de um anel gigante, com mais de 1,6 quilómetros de diâmetro e uma fachada coberta por três mil painéis de vidro curvo, cada um deles com 14 metros de altura. Por fora, está rodeado por nove mil árvores de fruto, cultivadas de propósito e no interior há painéis de vidro nas áreas comuns e nas cabinas de trabalho. A obra, do arquiteto Norman Foster, vencedor de um Pritzker, o Nobel da arquitetura, já considerado um marco na arquitetura e na construção.