O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou esta segunda-feira que tem mantido "um contacto muito assíduo" com os mediadores internacionais da crise na Venezuela, sublinhando que os trabalhos visam "evitar uma situação ainda mais trágica" naquele país.

Tenho mantido um contacto muito assíduo com o grupo dos três negociadores [José Luís Rodriguez Zapatero, de Espanha, Martin Torrijos, do Panamá, e Leonel Fernandez, da República Dominicana], com a própria Santa Sé e com vários países da região", disse Guterres, no decorrer de uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, em Lisboa.

Guterres recordou que as "as Nações Unidas não estão empenhadas diretamente na mediação", sublinhando que tal "teria, aliás, de ser aceite pelas partes".

Mas temos acompanhado com muito interesse todos os trabalhos que têm sido desenvolvidos, no sentido de evitar uma situação trágica, ou ainda mais trágica, na Venezuela. O nosso empenhamento é o de facilitar todas as ações que possam levar à redução da tensão e criar condições para um diálogo eficaz que permita estabilidade para a própria Venezuela", realçou o secretário-geral da ONU.

Naturalmente", concluiu Guterres, "é com grande preocupação que vemos que a situação não tem melhorado, antes pelo contrário, nos tempos mais recentes".

"Intensificar a proteção consular"

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, reiterou que a ação do Governo português tem dado prioridade a "assegurar, junto das autoridades venezuelanas, as condições de segurança e bem-estar da comunidade luso-descendente", bem como "a reparação dos prejuízos que os comerciantes portugueses têm sofrido por causa de distúrbios e saques".

O Governo português, completou Santos Silva, também tem procurado "intensificar a proteção consular e o contacto dos consulados com as comunidades luso-descendentes" na Venezuela, não só em Caracas e Valência, como noutros pontos daquele país.

A Venezuela encontra-se mergulhada numa grave crise política que opõe o presidente do país, Nicolás Maduro, ao parlamento, dominado pela oposição.

Os protestos intensificaram-se no princípio de abril, com a oposição a convocar manifestações para exigir a destituição de magistrados do Supremo Tribunal. Eram acusados de assumir as funções do parlamento, sendo que a decisão foi revertida pouco tempo depois.

As manifestações agravaram-se com o anúncio, no início de maio, do arranque do processo de criação de uma Assembleia Constituinte para reformar a Constituição, como a única forma de garantir a paz.

A oposição qualificou essa decisão de golpe de Estado e como uma forma de Maduro conseguir perpetuar-se no poder.

A eleição da Assembleia Constituinte está marcada para o próximo dia 30.

Desde o início da onda de protestos, há três meses, foram registados pelo menos 85 mortos, de acordo com o mais recente balanço do Ministério Público venezuelano.