"Para descrever aquilo que sinto neste momento, bastarão duas palavras: humildade e gratidão", começou por dizer António Guterres, esta tarde, no Ministério dos Negócios Estrangeiros, numa declaração sobre a sua eleição para secretário-geral das Nações Unidas.

O Conselho de Segurança da ONU escolheu nesta quinta-feira, por unanimidade e aclamação, o antigo primeiro-ministro português como secretário-geral da organização. A escolha do Conselho de Segurança, o principal órgão decisório das Nações Unidas, deverá agora ser ratificada pela assembleia-geral da organização.

"Gratidão, em primeiro lugar, em relação aos membros do Conselho de Segurança, em relação à confiança que em mim exprimiram. Mas gratidão também em relação à Assembleia das Nações Unidas e a todos os Estados-membros por terem decidido um processo exemplar de transparência e de abertura, bem como aos meus colegas candidatos, cuja cuja a inteligência, a dedicação e cujo empenhamento nesta campanha muito contribuíram para o prestígio das Nações Unidas."

O futuro secretário-geral das Nações Unidas disse esperar que a "unidade e consenso" da sua eleição representem "uma capacidade acrescida do Conselho de Segurança" para decidir a tempo e responder aos desafios do "mundo conturbado" atual.

"Foi com emoção que verifiquei que o Conselho de Segurança pôde decidir em unidade, por consenso, de forma atempada. Gostaria de exprimir o sincero voto de que este facto seja simbólico e que represente uma capacidade acrescida do Conselho de Segurança para, em unidade e em consenso, ter a possibilidade de tomar a tempo as decisões que o mundo conturbado em que vivemos exige", disse António Guterres, numa declaração em português, em inglês, em francês e em espanhol.

"Humildade, em segundo lugar", reiterou o novo secretário-geral nesta declaração. "Humildade face aos enormes desafios que me esperam, à terrível complexidade dos dramas do mundo moderno", sublinhou, o antigo primeiro-ministro, desejando ter "a humildade que é necessária para servir e, sobretudo, para servir os mais vulneráveis", que são "as vítimas dos conflitos, do terrorismo, das relações dos direitos, da pobreza, e das injustiças deste mundo."

Nestas primeiras palavras cerca de duas horas após a aclamação pela Assembleia Geral das Nações, António Guterres não esqueceu "a coragem" e "generosidade de tantos e tantos trabalhadores das Nações Unidas e dos seus parceiros, que afrontam os maiores perigos ao serviço da comunidade internacional".

O antigo primeiro-ministro português e ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados comprometeu-se, se for confirmado próximo secretário-geral das Nações Unidas, a “servir os mais vulneráveis” na “terrível complexidade” do mundo atual.

Guterres prometeu ainda “servir os mais vulneráveis, as vítimas dos conflitos, do terrorismo, das violações dos direitos, da pobreza, das injustiças”.

Estou recomendado, não sou secretário-geral”, frisou, recordando que o sul-coreano Ban Ki-moon é secretário-geral até 31 de dezembro.

Acompanhado pelo chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, até uma sala do Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lisboa, a abarrotar de jornalistas portugueses e estrangeiros, António Guterres dirigiu-se também aos portugueses para exprimir “profundo reconhecimento” às hierarquias do Estado e à diplomacia.

Num discurso proferido em quatro línguas - português, inglês, francês e espanhol – sem direito a perguntas –, Guterres disse esperar que tal “represente uma capacidade acrescida para, em unidade e em consenso, ter a possibilidade de tomar a tempo as decisões que o mundo conturbado em que vivemos exige”.