O Governo anunciou esta sexta-feira que a candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas é “um imperativo” e destacou “a forma exemplar” como exerceu altos cargos internacionais, considerando que possui “as melhores condições” para este mandato.

Num comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros, o executivo anuncia que vai apresentar a candidatura do engenheiro António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas.


“É nossa firme convicção que o engenheiro António Guterres é a personalidade com melhores condições para exercer esse mandato, correspondendo à necessidade de enfrentar os desafios que hoje se colocam à comunidade internacional”, afirma a nota emitida pelo gabinete do ministro Augusto Santos Silva.


O Governo considera que a “longa experiência política” e “a forma exemplar” como o antigo primeiro-ministro socialista exerceu altos cargos internacionais “demonstram cabalmente os méritos desta candidatura, que o Governo entende constituir um imperativo, num tempo em que, mais do que em qualquer outro, o mundo se tem de mobilizar em torno da paz e do desenvolvimento”.

António Guterres foi alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados durante dez anos, tendo terminado o mandato em final de 2015.

O Bloco de Esquerda já manifestou o seu apoio a esta candidatura. Em declarações à agência Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, revelou que António Guterres é uma personalidade internacional “que se destacou nos últimos anos no seu compromisso numa das causas maiores do mundo contemporâneo que é, e vai continuar a ser, pelas piores razões, a proteção dos refugiados”.

“António Guterres destacou-se desse ponto de vista como alguém com coragem, lucidez, com exigências sérias aos Estados e, se António Guterres vier a ser eleito secretário-geral das Nações Unidas, naturalmente que esta experiencia de alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados será extraordinariamente importante para o modo como esperamos que exerça esse mandato”, afirmou José Manuel Pureza.

Já os dirigentes do PCP colocaram o respeito pelos princípios constitucionais acima da "desejável" ocupação de cargos internacionais por portugueses, referindo-se ao antigo primeiro-ministro António Guterres. Em comunicado, os comunistas recordaram o desempenho de Durão Barroso como presidente da Comissão Europeia, deixando uma crítica implícita ao mesmo.

O candidatos presidenciais Marcelo Rebelo de SousaMaria de Belém e Marisa Matias elogiaram esta decisão. Também o antigo comissário europeu, António Vitorino, revelou que Guterres seria um excelente secretário-geral da ONU.

A candidatura de António Guterres contará ainda com "todo o empenhamento" de Cabo Verde. O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, adiantou esta sexta-feira que Guterres tem a "estatura necessária" para o cargo.
 

Os "adversários" de Guterres na corrida à ONU


A candidatura do ex-primeiro-ministro António Guterres ao posto de secretário geral das Nações Unidas junta-se a várias outras já oficialmente apoiadas pelos governos da Bulgária, Croácia, Macedónia ou Eslovénia.

Da Bulgária surgiram dois nomes, a diretora geral da Unesco, Irina Bokova, que é apoiada oficialmente pelo governo, e a comissária europeia para o Orçamento e Recursos Humanos, Kristalina Georgieva.

A Macedónia apresentou o nome do seu ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e atual presidente da Assembleia Geral da ONU, Srgjan Kerim.

A Croácia apoia a candidatura da sua ministra dos Negócios Estrangeiros e Assuntos Europeus, Vesna Pusíc.

Quanto à Eslovénia, apresentou o nome do ex-Presidente da República Danilo Türk.

Na Carta das Nações Unidas estabelece-se que o cargo de secretário geral é designado pela Assembleia Geral da organização, depois de aprovado pelo Conselho de Segurança, onde tem que passar pelo crivo dos cinco países com assento permanente e poder de veto: Estados Unidos da América, Reino Unido, Rússia, França e China.