O antigo primeiro-ministro António Guterres advertiu esta segunda-feira que a Cimeira Humanitária Mundial tem de assumir com urgência compromissos firmes na ajuda aos refugiados, alegando que o mundo está a assistir a uma multiplicação de situações dramáticas.

Este aviso foi deixado pelo ex-alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em declarações aos jornalistas proferidas à margem dos trabalhos da Cimeira Humanitária Mundial, que termina terça-feira em Istambul.

O mundo está a assistir a uma multiplicação de situações humanitárias dramáticas, quer por causa de conflitos, quer em consequência de catástrofes naturais. Por todas estas razões, é essencial que haja um despertar de consciências e que os diferentes Estados possam fazer ofertas firmes de diversos tipos de ajuda, designadamente ajudas financeiras às vítimas e aos países que as apoiam na linha da frente, caso dos vizinhos da Síria e da Somália".

O antigo primeiro-ministro português classificou também como essencial que os países se disponham a receber a reinstalar mais refugiados, que exista "uma maior solidariedade" e que haja a partir de agora capacidade de se assumir "uma responsabilidade coletiva em relação às trágicas situações que estamos vivendo".

Espero que esta cimeira dê um grande impulso ao assumir esses compromissos - e depois que esses compromissos sejam cumpridos", disse.

Questionado sobre a possibilidade de as conclusões da cimeira poderem não passar de boas intenções, pouco sendo depois concretizado, António Guterres referiu que "esse é o risco de todas as cimeiras".

Esse é o risco da vida política internacional de não haver vontade política para assumir uma responsabilidade conjunta em relação a dramas de natureza global".

Neste contexto, o candidato a secretário-geral das Nações Unidas deixou um elogio à atuação do Governo português em matéria de refugiados.

É para mim muito reconfortante ver que Portugal tem tomado nesta cimeira uma atitude muito positiva e que essa atitude tem sido confirmada na prática pelas decisões tomadas no sentido de serem recebidos mais refugiados".