O alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres, considera que a crise atual dos milhares de migrantes que chegam à Europa é “gerível”, mesmo com um sistema europeu de asilo “disfuncional”. As declarações foram feitas este domingo à agência AFP.

“O sistema europeu de asilo é profundamente disfuncional, funciona mal. Um certo número de países fazem o essencial do esforço e um grande número de outros faz um esforço quase inexistente”, lamentou o também antigo primeiro-ministro português.


O alto-comissário disse, ainda, que “com a chegada de quatro mil refugiados por dia à Europa […] o sistema tornou-se caótico, nada está organizado para que a situação possa ser gerida de forma eficaz e humana”, e apelou à criação de centros de receção eficazes nos locais de chegada destas pessoas como a Grécia, Hungria e Itália.

Para António Guterres, esta crise “é um problema muito sério, […] mas à escala planetária não é uma das maiores crises”, recordando ainda que 86% dos refugiados estão em países em vias de desenvolvimento.

“É uma crise gerível se todos se puserem de acordo quanto a um programa de ação comum”, declarou, referindo que as deslocações de pessoas por motivos de conflitos ou guerras tiveram “um aumento absolutamente incrível nos últimos anos”, tendo passado de 11 mil pessoas por dia em 2010 para 42.500 em 2014.

Guterres defendeu que este aumento significa que há “uma multiplicação de conflitos em todo o mundo e que os velhos conflitos não apresentam solução”.

“A impunidade e a imprevisibilidade estão por todo o lado e eu acredito que nos próximos anos a situação vai piorar.”


Desde janeiro, cerca de 365 mil pessoas já fizeram a travessia do Mediterrâneo, e mais de 2.700 morreram no esforço de chegar à Europa, segundo os números da Organização Internacional para as Migrações (OIM).