A eurodeputada socialista Ana Gomes considerou esta quarta-feira que António Guterres será “um grande secretário-geral” das Nações Unidas, com o perfil que a organização e o Mundo precisam, e lamentou o “oportunismo” da candidatura da comissária europeia Kristalina Georgieva.

A vitória de António Guterres na votação de hoje do Conselho de Segurança da ONU é “uma boa notícia para o mundo”, disse.

Guterres “tem condições únicas para ser um grande secretário-geral, o que as Nações Unidas e o mundo precisam”, disse Ana Gomes, que esteve, por duas vezes, na missão permanente de Portugal junto da ONU.

A eurodeputada apontou que o candidato português tem “uma capacidade política indiscutível, conhecimento da máquina das Nações Unidas, competência e dedicação extraordinárias, conhecimento das realidades no terreno, dos mais necessitados de ajuda e de apoio, e capacidade de se empenhar na resolução de conflitos”.

O mundo está “numa encruzilhada terrível” e precisa de um secretário-geral que “tenha força, capacidade, vontade e coragem política para meter as mãos à obra na negociação política que o lugar de secretário-geral das Nações Unidas implica”, defendeu.

O mundo precisa de um secretário-geral que vá à liça, que confronte os membros do Conselho de Segurança, designadamente os permanentes, com as suas responsabilidades. Estamos a viver uma fase em que o Conselho de Segurança está completamente bloqueado. Vemo-lo todos os dias com o massacre, na Síria, de crianças e civis inocentes”, considerou Ana Gomes.

A eurodeputada disse esperar que Guterres “empurre uma reforma das próprias Nações Unidas, do Conselho de Segurança, das agências e órgãos determinantes na governação mundial, como o Banco Mundial e o FMI, para que haja uma governação económica que efetivamente corresponda aos princípios e valores das Nações Unidas e ao serviço da Humanidade”.

Questionada sobre como regressará à Comissão Europeia a búlgara Kristalina Georgieva, que só avançou para a corrida na semana passada, Ana Gomes respondeu: “Regressa mal”.

A vice-presidente da Comissão Europeia teve “uma candidatura oportunista, lançada por setores reacionários, a começar pelo que é representado por Mário David, setores muito duvidosos quanto à sua idoneidade”.

Mário David, antigo eurodeputado social-democrata, pertenceu à equipa que promoveu a campanha da comissária europeia à liderança da ONU.

Georgieva “ficou beliscada e a Comissão Europeia também, inclusivamente por haver setores que estavam a empurrá-la”, nomeadamente o chefe de gabinete do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que declarou o seu apoio à comissária europeia.

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O antigo primeiro-ministro português António Guterres foi hoje indicado como favorito para secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Conselho de Segurança à Assembleia-geral, que deverá aprovar o seu nome dentro de alguns dias.

O Conselho de Segurança anunciou hoje que o português é o “vencedor claro” da votação, recebendo 13 votos de encorajamento e duas abstenções, uma das quais de um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, com direito de veto.

Este órgão, com poder de veto, deverá aprovar na quinta-feira uma votação formal a indicar o nome de António Guterres para a Assembleia-Geral das Nações Unidas, formalizando assim a eleição do sucessor de Ban Ki-moon.