O Presidente dos Estados Unidos felicitou na terça-feira António Guterres pela nomeação como secretário-geral das Nações Unidas.

Durante a conversa que mantiveram ao telefone, Barack Obama garantiu a António Guterres que os Estados Unidos vão continuar a trabalhar em estreita colaboração com as Nações Unidas, de acordo com um comunicado da Casa Branca.

O Presidente prometeu o apoio contínuo [dos Estados Unidos] aos esforços da ONU para responder a um vasto leque de desafios globais”, informa a Casa Branca, referindo-se às alterações climáticas, ao desenvolvimento sustentável, à ajuda humanitária, à prevenção de conflitos, à manutenção da paz ou ainda à promoção do respeito pelos direitos humanos.

No telefonema a Guterres, Obama “destacou igualmente a importância das reformas da ONU", fortalecendo e modernizando as instituições da organização.

A Assembleia-geral das Nações Unidas tem, nesta quarta-feira, um encontro informal com o secretário-geral designado, António Guterres, em que todos os Estados-membros da ONU poderão fazer intervenções.

O encontro informal será “uma oportunidade para uma interação inicial” com António Guterres, “para o apoiar na preparação para o cargo”, indica o item de agenda da Assembleia-geral.

“Todos os Estados-membros e grupos podem falar”, destaca a informação, apelando para intervenções curtas, que não excedam os três/quatro minutos.

O encontro será também aberto a outros intervenientes, nomeadamente à sociedade civil, e será transmitido pela internet, “em linha com os compromissos de transparência e abrangência do presidente da Assembleia-geral”.

O encontro foi anunciado pelo presidente da Assembleia-geral, Peter Thomson, no dia da aclamação formal de Guterres perante os 193 Estados-membros das Nações Unidas.

Nessa altura, Peter Thomson qualificou como “histórico” o processo de seleção do nono secretário-geral da ONU, “pela primeira vez guiado por princípios de transparência e abrangência".

Destacando a “vasta experiência” de Guterres, Thomson disse ainda acreditar que o antigo primeiro-ministro português “vai servir a comunidade internacional com dedicação” e garantiu que “fará tudo para facilitar um processo de transição suave”.

O atual secretário-geral, o sul-coreano Ban Ki-moon, vai manter-se em funções até 31 de dezembro.

Guterres recebe Honoris Causa em Madrid

A Universidade Europeia de Madrid vai atribuir a 16 de novembro próximo o título de doutor Honoris Causa a António Guterres pelas suas capacidades de liderança como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados.

Fonte da Universidade Europeia disse à agência Lusa que o mundo está num momento em que “faz falta liderança”, como aquela que o português exerceu durante os dez anos em que chefiou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

A universidade também reconhece António Guterres por ter apoiado as pessoas apátridas e por salvaguardar os direitos daqueles que se vêm obrigados a deixar o seu país em consequência de guerras, revoluções e perseguições políticas.

Felipe González, presidente do Governo espanhol entre 1982 e 1996, vai pronunciar o discurso de elogio (laudatório) a António Guterres, numa cerimónia que se irá realizar a 16 de novembro no Complexo Universitário Juan Mayorga da Universidade Europeia, em Villaviciosa de Odón, nos arredores de Madrid.

A atribuição do Doutoramento está a ser ponderada desde há um ano e não tem nada a ver com a recente escolha do também ex-primeiro-ministro português para secretário-geral das Nações Unidas, segundo a mesma fonte.

António Guterres exerceu o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados entre 15 de junho de 2005 e 31 de dezembro de 2015 e a partir de 1 de janeiro de 2017 vai assumir o cargo de secretário- geral das Nações Unidas, por um período de cinco anos.

A Universidade Europeia de Madrid atribui o título de doutor Honoris Causa aos profissionais que pela sua “capacidade e trajetória pessoal e profissional, com reconhecimento nacional e internacional, se destacam no âmbito da ciência, tecnologia, cultura, docência, investigação ou qualquer das áreas profissionais que trazem valores à sociedade”.

Nesta instituição, já foram laureados com este doutoramento o tenista Rafa Nadal, o ex-presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, o barítono e tenor Plácido Domingo, o primeiro presidente da Polónia democrática, Lech Walesa e o primeiro presidente da África do Sul depois do fim do período de segregação racial conhecido por “apartheid”, Nelson Mandela.

Guterres recebe a 13 de dezembro Prémio Direitos Humanos da AR

O Prémio Direitos Humanos 2016, que foi atribuído pela Assembleia da República a António Guterres, será entregue a 13 de dezembro, anunciou hoje o presidente do parlamento, Eduardo Ferro Rodrigues.

De acordo com o porta-voz da conferência de líderes, o deputado do PSD Duarte Pacheco, o anúncio foi feito esta manhã por Ferro Rodrigues aos representantes nos grupos parlamentares.

A atribuição do prémio a António Guterres pelo seu desempenho nas funções de Alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) tinha sido divulgada na semana passada.

A atribuição do prémio ao novo secretário-geral das Nações Unidas foi decidida por unanimidade, por um júri composto pelos deputados da comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias Pedro Bacelar de Vasconcelos (PS), que preside, José Matos Correia (PSD), Filipe Neto Brandão (PS), Sandra Cunha (BE), Telmo Correia (CDS-PP), António Filipe (PCP) e José Luís Ferreira (PEV).

O prémio será entregue numa cerimónia incluída nas comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos.