Milhares de norte-coreanos participaram no sábado numa manifestação anti-americana convocada pelo regime de Pyongyang, em apoio ao líder Kim Jong-un, num momento marcado pela "guerra" de palavras com Donald Trump, informou este domingo a agência KCNA.

De acordo o texto divulgado pela agência estatal norte-coreana, mais de 100 mil pessoas participaram na concentração na praça Kim Il Sung, no centro de Pyongyang.

Durante o evento, foi lido na íntegra o comunicado de Kim Jong-un publicado na sexta-feira.

Nesse texto, o líder norte-coreano criticou o discurso de Trump na terça-feira na ONU, no qual o Presidente dos EUA ameaçava "destruir totalmente a Coreia do Norte", e classificou Trump como um "louco", lançando novas ameaças contra Washington.

Manifestantes marcharam com cartazes com "slogans" como "vingança decisiva" e "morte para os imperialistas americanos" e entoaram palavras de ordem como "destruição total", segundo a KCNA, citada pela Associated Press.

A multidão incluía trabalhadores, funcionários do regime e estudantes, segundo a KCNA.

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Os contínuos testes de mísseis pela Coreia do Norte e a dura retórica usada por Washington após a chegada em janeiro de Donald Trump à Casa Branca fizeram disparar este ano a tensão regional até níveis inéditos.

O mais recente episódio desta crise ocorreu no sábado, quando bombardeiros e caças norte-americanos voaram perto da costa da Coreia do Norte para enviar uma "mensagem clara" de que Washington dispõe de "opções militares" perante qualquer ameaça, informou o Pentágono.

Os Estados Unidos já enviaram este ano em várias ocasiões os seus aviões militares até perto da Coreia do Norte como demonstração de força.

“Solidariedade” com Cuba e Venezuela

A Coreia do Norte manifestou no sábado "solidariedade" em relação a Cuba e à Venezuela, perante as arbitrariedades dos Estados Unidos, que recentemente impuseram sanções económicas contra Caracas.

Um forte apoio e solidariedade para com o Governo cubano e o seu povo, que está a lutar para defender e alcançar a justiça internacional contra as arbitrariedades e o embargo unilateral dos Estados Unidos", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte.

A posição da Coreia do Norte foi dada a conhecer pelo ministro dos Negócios Estrangeirso, Ri Yong Ho, durante um discurso na Assembleia Geral da ONU.

Também expressamos um forte apoio e solidariedade para com o Governo e o povo da Venezuela, que está a lutar para defender a soberania nacional e a causa do socialismo", acrescentou.