O presidente do município de Buenos Aires, na Argentina, anunciou o plano de encerramento do zoo da cidade, aberto há 140 anos. Horacio Rodríguez Larreta justificou esta decisão por se considerar degradante manter os animais em cativeiro só para que as pessoas os possam contemplar. Os 2.500 animais serão, gradualmente, transportados para reservas naturais no país.

Segundo o jornal The Guardian, a reabertura do zoo está prevista para o final deste ano, mas agora para fins educativos e centrando-se na proteção dos animais em perigo, resgatados do tráfico ilegal.

 Esta situação do cativeiro é degradante para os animais, não é a forma de os proteger”, disse Rodríguez, numa cerimónia esta quinta-feira.

As espécies de aves, por exemplo, serão libertadas na Reserva Ecológica de Buenos Aires, uma reserva junto ao rio com 864 hectares. 

O jardim zoológico de Buenos Aires é um dos principais locais turísticos da cidade, mas a sua degradação não justifica que continue aberto.

A falta de condições do zoo foi notícia nos órgão de comunicação social do país e do mundo, pelo sofrimento causado aos animais provenientes de climas frios. Por exemplo, o último urso polar do zoo, chamado Winner, morreu há cerca de 3 anos devido às altas temperaturas e às condições inadequadas do espaço onde estava em cativeiro.

"Winner" foi o último urso polar do zoo de Buenos Aires

O mais importante é acabar com o modelo de cativeiro e exibição”, afirma um advogado dos direitos dos animais, Gerardo Biglia, um ativo crítico das condições deste zoo.

 

Eu acho que a mudança está a vir com o que já preparámos, porque nos dias que correm as crianças consideram óbvio que é errado enjaular animais”, diz Gerardo Biglia.

Entre os 50 animais que permanecerão no zoo, está Sandra, uma fêmea de orangotango que ficou internacionalmente famosa depois do tribunal de Buenos Aires a declarar “pessoa não-humana” com direitos.

Sandra, um orangotango que permanecerá no zoo de Buenos Aires

O problema da Sandra é que é um orangotango híbrido (fruto do acasalamento entre um orangotango de Borneos e outro de Sumatra) e por isso não consegue socializar”, justifica Biglia.

As autoridades responsáveis pelo fecho do zoo, garantiram que os animais que irão permanecer no estabelecimento não serão mais exibidos em público.