O ativista e rapper luso-angolano Luaty Beirão, detido desde 20 de junho e em greve de fome há 25 dias, foi transferido para uma clínica esta quinta-feira à tarde para fazer exames médicos, depois de ter tido “uma dormência no rosto” durante duas horas no fim do dia de quarta-feira. A informação surge num “post” publicado, esta quinta-feira, na página oficial do músico, de 33 anos, no Facebook. No mesmo post lê-se que Luaty Beirão “continua fraco”, mas está lúcido.
 
 

Luaty Beirão foi hoje à tarde transferido para a clínica Girassol para fazer uma série de exames; teve uma dormência no...

Posted by Luaty Beirão on  Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

 
Esta informação publicada na rede social, surge no mesmo dia em que a família de Luaty Beirão foi confrontada com informações postas a circular nas ruas de Luanda, em Angola, sobre a alegada morte do ativista. Uma informação que entretanto já foi desmentida tantos por familiares, como pelas autoridades angolanas, noticia o site da rádio Voz da América (VOA), em Luanda.

Esta não é a primeira vez que tal acontece. Há uma semana, a televisão pública angolana começou a difundir, nos espaços noticiosos, imagens do ativista, na prisão, apresentadas como "exclusivo" e "desmentindo" rumores sobre a morte do Luaty Beirão, que é um dos 15 detidos na capital angolana, acusados de prepararem um golpe de Estado.

Entretanto o irmão mais novo do ativista, Pedro Coquenaua confirmou à VOA que o estado de saúde de Luaty é grave e que só voltará a comer "quando a justiça for feita". Pedro Coquenaua diz também que o irmão foi levado para a Clínica Girassol, em Luanda, para fazer exames médicos e que continua a ser transportado em cadeira de rodas.

Foi, entretanto, divulgada uma carta do ativista, com data de 15 de outubro, na qual este declara que caso lhe aconteça algo e perca a sua consciência não quer "uma existência vegetativa".



Por outro lado, o porta-voz da Direção Nacional dos Serviços Prisionais de Angola, Menezes Kassoma, reiterou à VOA que Luaty Beirão está vivo e que apenas teve uma recaída na quarta-feira.

Na segunda-feira, o ministro português dos Negócios Estrangeiros precisou que Portugal está a acompanhar do “ ponto de vista humanitário” o caso do ativista luso-angolano. Esta quinta-feira, o gabinete de Rui Machete reitera que tem "seguido a situação de Luaty Beirão de perto e desde a primeira hora."

Em comunicado enviado às redações, o Ministério dos Negócios Estrangeiros explica que esse acompanhamento tem sido feito de forma mais próxima através da Embaixada de Portugal em Luanda, a nível bilateral e em coordenação com a delegação da União Europeia na capital angolana e com as demais embaixadas dos Estados-membros da União Europeia.

Neste contexto, na quarta-feira, os embaixadores da União Europeia em Luanda puderam manifestar preocupação pela condição de Luaty Beirão ao Ministro da Justiça de Angola, numa reunião especialmente dedicada ao assunto e na qual participou o Embaixador de Portugal.

“Refira-se que, mesmo antes de esta situação ter assumido contornos mediáticos, já as autoridades portuguesas – designadamente o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros – estavam em contacto com as autoridades angolanas e com familiares dos detidos, a pedido destes”, sublinha o comunicado.


Concentrações e vigílias de apoio aos ativistas detidos em Luanda juntaram na quarta-feira centenas de pessoas em Lisboa e em Coimbra. As manifestações contaram com a presença da secção portuguesa da Amnistia Internacional. A organização de direitos humanos entende que “as detenções e as acusações formuladas pelo Estado angolano contra os 15 ativistas constituem um exemplo chocante do quão longe as autoridades do país estão dispostas a ir para suprimir a dissidência pacífica.”