O ativista luso-angolano Luaty Beirão foi transferido, na noite de sexta-feira, para as enfermarias de um hospital-prisão de Luanda e já começou a ser tratado a uma infeção por malária.

A informação foi prestada à Lusa por Menezes Kassoma, porta-voz dos Serviços Penitenciários de Angola, dando conta que o ativista - que protesta contra a transferência para o Hospital-Prisão de São Paulo - aceitou fazer a medicação antimalárica fornecida pela família. Além disso, acrescentou, aceitou igualmente receber soro, assegurado pelos Serviços Penitenciários.

Está a ser tratado, medicado e está estável. Foi transferido para as enfermarias às 20:30 de sexta-feira", disse Menezes Kassoma.

A mesma informação foi confirmada à Lusa pela esposa do ativista, Mónica Almeida, acrescentando que durante o dia de sexta-feira o estado de saúde de Luaty Beirão chegou a ser "crítico", com "febres altas" e recusando, em protesto, receber a medicação contra a malária fornecida pelos Serviços Penitenciários, infeção que lhe foi diagnosticada durante a semana.

O ativista está preso, juntamente com os outros ativistas condenados, pelos crimes de associação a malfeitores e atos preparatórios de rebelião tem-se recusado a receber tratamento para a doença.

Esta confirmação surge depois de Luaty Beirão ter escrito uma carta de agradecimento à ordem dos advogados de Portugal, que lhe atribuiu uma medalha de ouro, pela defesa dos valores do estado de direito democrático.

Nessa carta, Luaty já tinha escrito que está doente, com febre, calafrios e convulsões devido à malária.

O ativista tem-se mantido firme no protesto contra a transferência para o hospital prisão. No início de março, o angolano recusou-se a aceitar comida que não fosse entregue por familiares e permaneceu em silêncio e de cuecas na cela.