O ativista angolano Luaty Beirão, acusado de preparar um golpe de Estado, vai continuar em greve de fome, exigindo aguardar julgamento em liberdade, frustrada a tentativa de o demover do protesto, disse esta terça-feira à Lusa o seu advogado, Luís Nascimento.

"Coloquei-lhe a questão, as vantagens e as desvantagens, mas ele disse que perante o que recebeu, não vê porque tem de mudar a posição. Ficou desiludido."


Luís Nascimento esteve uma hora com Luaty Beirão na clínica privada de Luanda onde o rapper e ativista está internado, sob detenção, levando já 30 dias em greve de fome.

Os advogados pretendiam demover Luaty Beirão deste protesto, tendo em conta a notificação, na segunda-feira, do início do julgamento da acusação da preparação de um golpe de Estado e de um atentado contra o Presidente angolano (juntamente com mais 16 arguidos), previsto para 16 a 20 de novembro, no Tribunal Provincial de Luanda.

Luaty Beirão, detido desde junho, responsabiliza o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, das consequências deste protesto, acusando-o de "imiscuir-se" na Justiça.  

O ativista justifica a greve de fome, que encetou com a "vontade própria", por entender que os seus "direitos constitucionais" estão "a ser desrespeitados", exigindo - como prevê a lei angolana para o crime em causa - aguardar julgamento em liberdade.