O líder do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), José Eduardo dos Santos, foi hoje reconduzido no cargo com 99,6% dos votos, no VII congresso ordinário do partido.

José Eduardo dos Santos, único candidato à presidência do partido, foi eleito com 2.543 votos a favor, cinco contra e cinco abstenções.

No poder há praticamente 37 anos, o líder e Chefe de Estado anunciou em março a sua saída da vida política.

Numa recente reunião do Comité Central, José Eduardo dos Santos disse que em 2002, em eleições gerais, foi eleito Presidente da República e empossado para cumprir um mandato que nos termos da Constituição da República termina em 2017.

"Assim, eu tomei a decisão de deixar a vida política ativa em 2018", disse na altura.

Em simultâneo, foi hoje votada a única lista de 363 membros do Comité Central, que passou com 2.511 votos a favor, 37 contra e sete abstenções, correspondente a 98,35% da votação.

Num momento em que persistem dúvidas sobre a sucessão na liderança do partido e na candidatura do MPLA às eleições gerais de agosto de 2017, destaca-se a estreia de dois dos filhos de José Eduardo dos Santos no Comité Central.

José Filomeno dos Santos (conhecido como ´Zenu´) chega a este órgão proposto pela estrutura da juventude do partido, a JMPLA, e Welwitchia dos Santos (conhecida como ´Tchizé’) proposta pela estrutura feminina do partido, a Organização da Mulher Angolana (OMA).

Os dados avançados à imprensa pelo porta-voz do congresso, Manuel Rabelais, dão conta que a eleição, pela primeira vez por voto eletrónico, decorreu "dentro do maior civismo e foi marcada pela transparência e democracia".

A estreia de novas tecnologias no conclave, segundo o porta-voz, garantiu "maior precisão de votos, lisura e economia de tempo".

Na terça-feira acontece a primeira reunião do Comité Central eleito, no qual serão conhecidos o novo vice-presidente do partido, o secretário-geral e os membros do Bureau Político.

No terceiro dia de trabalhos do congresso, foram discutidas e aprovadas a resolução sobre a Moção de Estratégia do líder do partido para 2017-2021, o relatório dos Estatutos do Partido, os documentos finais Moção de Apoio ao Presidente Eleito pela dedicação ao MPLA, ao país e à pátria.

Foram também aprovadas a Moção de Reconhecimento dos membros do Comité Central que cessaram o mandato, pela sua dedicação e empenho, a Moção de Agradecimento às individualidades intelectuais e coletivas que apoiaram a realizaram do VII congresso ordinário do partido, bem como apreciaram e aprovaram a Resolução Final, cujo conteúdo será divulgado na cerimónia de encerramento no sábado.

À margem do congresso foi hoje realizado um seminário, em que participaram membros das 27 delegações estrangeiras convidadas ao congresso sobre os Caminhos para a Consolidação da democracia e da diversificação da economia.

Segundo o porta-voz, os trabalhos têm estado a decorrer num espírito de profunda discussão, participação ativa dos delegados e de respeito pelos princípios democráticos e no contraditório.

"Está a ser um congresso produtivo e demonstrativo da grande força e da coesão interna do partido", referiu.