A polícia angolana admite o rapto de cidadãos para obtenção de resgates, como nova prática criminal que está a afetar a capital, Luanda, fenómeno relacionado com a profunda crise que o país atravessa.

De acordo com informação transmitida, nesta segunda-feira, pelo diretor provincial de Luanda da Polícia de Ordem Pública, superintendente-chefe Mateus André, trata-se de "um novo fenómeno", em que só "nos últimos dias" foram conhecidas "três situações".

"Começou com cidadãos de nacionalidade chinesa que procediam ao rapto de cidadãos da mesma nacionalidade, com algum poder económico e financeiro, e que depois negociavam um resgate", explicou o oficial da Polícia Nacional, durante um debate emitido hoje pela rádio pública angolana.

No mês de abril foram conhecidos raptos por homens armados, em Luanda, de um cidadão de dupla nacionalidade, belga e libanês, que foi libertado em troca de dinheiro, e também de dois chineses e um francês.

Mateus André não acredita, porém, que os estrangeiros sejam um alvo da criminalidade violenta em Luanda, sendo este novo fenómeno de raptos apenas um resultado da crise em Angola.

No último mês há ainda registo do homicídio violento de três portugueses em Luanda, entre os quais um casal morto a tiro à frente do filho, casos que segundo a polícia estão em investigação.