Cabo Verde melhorou na avaliação do Índice Ibrahim de Governação Africana (IIGA) de 2014 e recuperou o 2.º lugar ao Botsuana, ficando apenas atrás das Ilhas Maurícias, foi hoje divulgado.

Cabo Verde somou uma pontuação de 76,6 pontos na avaliação geral dos diferentes critérios, que estão agrupados em quatro categorias: Segurança e Estado de Direito; Participação e Direitos Humanos; Oportunidade Económica Sustentável; e Desenvolvimento Humano.

O arquipélago tem uma ótima avaliação em termos de segurança e funcionamento da lei e justiça, na área da participação cívica e direitos humanos e no bem-estar, nomeadamente no acesso à segurança social. Porém, recebeu notas menos boas na avaliação às infraestruturas, administração pública, à segurança pessoal e às condições oferecidas às empresas privadas.

Na avaliação feita a 52 países africanos, Cabo Verde continua a ser o melhor entre os países lusófono, à frente de São Tomé e Príncipe (12.º), Moçambique (22.º), Angola (44.º) e Guiné-Bissau (48.º).

A Fundação Mo Ibrahim, homónima do milionário sudanês que a criou em 2006, apoia a boa governação e a liderança em África e elabora anualmente desde 2007 o Índice Ibrahim, que visa informar e ajudar os cidadãos, sociedade civil, parlamentos e governos a medir o progresso.

Angola inverteu a tendência dos últimos anos de subida na avaliação caindo para o 44.º lugar da tabela de 52 países hoje divulgada.

Num só ano, Angola perdeu cinco pontos e cinco posições na avaliação geral para 40,9 pontos devido aos recuos nas áreas da igualdade entre sexos, participação cívica e direitos humanos, bem como no ambiente económico.

Nem as melhorias em termos de segurança nacional, no acesso à educação e saúde e do funcionamento administração pública conseguiram anular o peso dos retrocessos nos outros itens, que colocaram Angola abaixo da média da África Austral.

Moçambique também recuou duas posições no Índice Ibrahim e está em 22.º, sobretudo devido à maior insegurança registada no país.

Moçambique, cuja estabilidade estava refletida na avaliação do índice nos últimos anos, perdeu dois pontos no espaço de 12 meses devido às questões relacionadas com a segurança nacional e pessoal por causa do conflito entre o governo da Frelimo e as forças da Renamo, na oposição.

Embora tenham sido registados avanços de Moçambique no acesso à saúde e igualdade entre sexos, o índice aponta para piores desempenhos no desenvolvimento da economia e de infraestruturas, funcionamento da lei e acesso à educação.

São Tomé e Príncipe é um dos países que continua a progredir na avaliação, mas perdeu um lugar na tabela e caiu para o 12.º posto.

Na avaliação geral, São Tomé somou 59,7 pontos em 2013, mais um ponto do que no ano passado e mais 4,4 desde 2009, graças às boas notas em termos de segurança nacional e pessoal, participação cívica, igualdade entre sexos, acesso à saúde, educação e segurança social.

As fragilidades em termos económicos do país são as causas de avaliações menos positivas, nomeadamente as deficiências da administração pública, falta de infraestruturas e de condições para as empresas privadas.

A Guiné-Bissau foi um dos países que mais piorou desde nos últimos cinco anos e está no grupo dos cinco piores. Desde 2009, a Guiné-Bissau já perdeu 6,8 pontos e cinco posições na tabela, somando atualmente apenas 33,2 pontos. Além da falta de oportunidades económicas que oferece, a participação cívica é considerada muito baixa, bem como o funcionamento da lei.

A Costa do Marfim, Guiné, Niger, Zimbabué e Senegal são dos 52 países que mais evoluíram nos últimos cinco anos, segundo o Índice Ibrahim de Boa Governação Africana 2014, publicado hoje.

A melhor evolução dos últimos cinco anos pertence à Costa do Marfim (44,3 pontos), que desde 2009 subiu 7,8 pontos e seis lugares para a 40.ª posição da tabela.

No topo dos cinco melhores mantêm-se Ilhas Maurícias (81,7 pontos), seguidas por Cabo Verde (76,6), Botsuana, (76,2), África do Sul (73,3) - que conquistou a quarta posição - às Ilhas Seicheles (73,2).

Todos os países nos primeiros 12 primeiros lugares registaram melhores pontuações em 2013, ano a que se referem estas avaliações, relativamente ao ano anterior.

Pelo contrário, o Egipto (51,1) foi o país com pior desempenho desde 2009, caindo oito pontos e 14 lugares para 46º na lista de 52 países, tendo igualmente visto deteriorar bastante a sua situação países como a Líbia, Guiné-Bissau, República Centro-Africana e Mali.

No fundo da classificação estão a Somália (8,6), República Centro-Africana (24,8), Eritreia (29,8), Chade (31,2) e Guiné-Bissau (33,2).