As gémeas siamesas que nasceram em Luanda, na segunda-feira, não podem ser separadas, por partilharem o mesmo coração, anunciou em conferência de imprensa, o diretor do Hospital Pediátrico David Bernardino.

As bebés siamesas partilham o mesmo coração e o mesmo fígado. Com este achado imagiológico não é viável a intervenção cirúrgica", anunciou Francisco Domingos, na quarta-feira.

As recém-nascidas, que nasceram na maternidade Augusto Ngangula, também em Luanda, onde se encontra ainda internada a mãe e uma terceira gémea que nasceu sem problemas, foram transferidas para os cuidados intensivos do hospital pediátrico, onde estão a ser acompanhadas por uma equipa multidisciplinar, da qual faz parte o cirurgião cardiotorácico português Manuel Pedro Magalhães, diretor clínico da Hospital da Cruz Vermelha.

O quadro clínico das siamesas é, apesar de tudo, estável.

O sucesso deste tipo de situações é nulo. Houve várias tentativas no passado, que quando há essa situação de sacrificar um dos gémeos em favor do outro, nenhum dos outros que ficou nunca chegou a ir para casa", alertou o especialista português.

Os médicos mantêm, por isso, um prognóstico "bastante reservado", tendo em conta a sobrecarga que o coração está a sofrer por ser partilhado.

Em entrevista ao jornal O País, nesta sexta-feira, o responsável da unidade de cuidados intensivos do David Bernardino disse que as siamesas vão ser alvo, nos próximos dias, de vários exames para determinar a localização precisa do fígado e do coração, numa tentativa de encontrar novas soluções que permitam encarar de novo a possibilidade de uma operação.

O importante é que as irmãs apresentam um estado de saúde estável e não têm causado qualquer agitação ao pessoal clínico. Os próximos dias vão ser determinantes porque todas as decisões serão realizadas em função do quadro que elas forem apresentando e dos resultados das análises. Para já, não há nenhuma solução concreta. O caso não está encerrado. Há uma equipa multidisciplinar que está em permanente vigilância”, sublinhou, apesar de dois dias antes ter sido anunciada a impossibilidade de separação.

Carlos Faustino lembrou, porém, que o facto de as gémeas não serem separadas não significa que não possam viver “ligadas”.

Os casos de siameses no mundo que não foram operados conseguiram viver até uma certa idade. Na medicina nada é considerado um caso perdido. É importante que se esgotem todos os recursos de resolução. E nós estamos aqui para estar ao lado dessas crianças e possibilitar que tenham vida.”

De acordo com O País, este não é o terceiro caso de siameses em Angola, ainda que seja o primeiro em que os bebés partilham o coração.

A 5 de setembro de 2015, no Lobito, na província de Benguela, nasceram duas gémeas unidas pelo abdómen e que partilhavam o mesmo fígado. Foram separadas no Hospital Geral e, hoje, com 2 anos e 7 meses de idade, são duas crianças saudáveis.

Em fevereiro de 2017, as siamesas de Moxico unidas pela cabeça morreram devido a dificuldades para a realização da cirurgia de separação.