Mais umas eleições regionais e mais uma afirmação nas urnas do partido de extrema-direita Alternative fuer Deutschland (AfD), que tem já representação parlamentar em nove dos 16 estados alemães.

No início do ano, as previsões indicavam que os democratas-cristãos da chanceler Angela Merkel eram os mais prováveis vencedores das eleições no estado de Mecklemburg-Pomerânia Ocidental, que fica no território da antiga RDA e tem uma população de apenas 1,6 milhões de pessoas.

Apesar da pequena dimensão do estado que foi a votos e deu a vitória aos sociais-democratas do SPD, com cerca de 30% dos sufrágios, a queda da CDU é vista como uma derrota comprometedora para a chanceler. O partido de Merkel obteve apenas 19% na contagem, contra os cerca de 21% da AfD, que não tardou a cobrar-lhe a fatura da derrota.

A cereja no topo do bolo é que deixámos a CDU de Merkel atrás de nós. Provavelmente é o princípio do fim de Merhel como chanceler", afirmou de pronto, Leif-Erik Holm, um apresentador de rádio e o líder local da AfD.

Recandidatura de Merkel em dúvida

Um resultado amargo, uma experiência nova", foi como o secretário-geral da CDU, Peter Tauber, se referiu ao resultado eleitoral de domingo.

Já outra das principais figuras do partido, Wolfgang Bosbach, lembrou que a chegada de centenas de milhares de refugiados sem documentos deu "vento às velas da AfD".

Houve apenas um assunto durante a campanha, que foi a política de refugiados. A questão dos refugiados foi decisiva", sustentou o candidato derrotado da CDU, Lorenz Caffier, para quem não há dúvidas de que "muita gente está a olhar para Angela Merkel.”

A Alemanha e a Europa aguardam pela palavra de Merkel, no poder desde 2005, sobre uma eventual recandidatura nas legislativas do próximo ano. Antes porém, a CDU tem uma nova prova de fogo já no próximo dia 18 deste mês de setembro.

Anti-imigrantes e anti-islâmicos

Em segundo lugar nas eleições de domingo, a AfD é vista como uma força verdadeiramente vitoriosa. No estado de Mecklemburg-Pomerânia Ocidental e na própria Alemanha.

A força política tem apenas três anos e tem feito dos ideiais nacionalistas, da contestação à imigração e ao islamismo as saus grandes bandeiras.

A AfD foi criada em 2013 por Bernd Lucke, Alexander Gauland e Konrad Adam sob o propósito de contestarem os resgates financeiros da Europa aos países do sul, casos da Grècia, Espanha e Portugal.

Há cerca de um ano, Bernd Lucke, que se batia pela saída da Alemanha do Euro, deixou o partido. Tido como um moderado, acusou a estrutura de se ter tornado xenófoba.

Aparentemente, teria razão. Frauke Petry, claramente de extrema-direita, assumiu a liderança da AfD, que se tornou o primeiro partido anti-euro a conquistar lugares num parlamento regional, com quase 10% de votos no estado da Saxónia.