Angela Merkel não vai alterar as políticas de acolhimento de refugiados na Alemanha. A garantia foi deixada esta quinta-feira pela própria chanceler alemã, em conferência de imprensa. 

No espaço de poucos dias, uma série de ataques abalou o país e dois foram perpetrados por refugiados sírios: um homem matou uma mulher grávida em Reutlingen, ferindo outras duas pessoas, e um outro detonou um engenho explosivo em Ansbach, à porta de um festival de música, que provocou 12 feridos.

Têm sido muitas as pressões para que o governo alemão introduza medidas mais apertadas no que toca ao acolhimento de refugiados. Os recentes atentados impulsionaram um clima de tensão e deram um novo fôlego às exigências dos partidos da oposição, sobretudo das forças de extrema-direita.

A chanceler alemã reconheceu que os refugiados responsáveis pelos ataques “envergonharam o país que os acolheu". No entanto, recusou tomar a parte pelo todo e destacou que quem foge da guerra tem o direito de ser protegido.

Por isso, assegurou que Berlim não vai ceder às pressões e apelou aos alemães para não deixarem que os terroristas espalhem o medo e alterem o seu estilo de vida.

“Os terroristas querem que percamos o foco do que é importante para nós, quer quebrar a nossa coesão e o nosso sentido comunidade, bem como inibir o nosso estilo de vida, a nossa abertura, a nsosa vontade de acolher pessoas que precisam de ajuda. Eles veem ódio e medo entre as diferentes culturas, veem ódio e medo entre as religiões. Nós mantemo-nos de forma decisiva contra isso.”

Merkel acrescentou que os ataques recentes na Alemanha e em França fomentaram divisões e um ambiente de suspeição. E numa tentativa de tranquilizar os cidadãos, adiantou que o governo vai propor novas medidas para combater a ameaça terrorista.

A chanceler vincou que Berlim leva muito a sério o "desafio da integração" e está a trabalhar em programas anti-radicalização e em sistemas de alerta durante a face inicial dos processos de asilo.