Uma imagem da chanceler alemã Angela Merkel vai ser «bombardeada», na quinta-feira, em Londres, por galos de Barcelos, na inauguração de uma exposição coletiva de 16 artistas de arte contemporânea, a maioria portugueses.

Esta será a segunda vez que a artista Susana Chiocca vai apresentar esta performance artística, intitulada «Não podemos morrer pelo euro», que se realizou pela primeira vez em 2013, numa rua na cidade holandesa de Amesterdão.

A ideia surgiu na sequência de uma visita de Angela Merkel a Portugal, em novembro de 2012, tendo sido esta a forma de a artista se manifestar contra as políticas de austeridade impostas pela Europa a Portugal, personificadas na dirigente alemã.

Até agora, Susana Chiocca só tinha mostrado o trabalho em vídeo, mas a exposição «Art Stabs Power: que se vayan todos!», na capital britânica, proporcionou a oportunidade de a repetir.

A reflexão sobre a situação social e política é o que une os 16 artistas, dos quais um moçambicano, Manuel Santos Maia, uma neozelandesa, Angela Tiatia, e um britânico, Paul Eachus, disse a programadora, Inês Valle, à agência Lusa.

«Esta é uma situação global, a crise é global, não afeta só portugueses», argumentou.

Ao todo, serão apresentados mais de 20 projetos, desde performance, vídeo, pintura, escultura, instalação e fotografia.

Além de Susana Chiocca, serão apresentados trabalhos dos portugueses Alexandre Lima Sequeira, António Lago, Beatriz Albuquerque, Fernando J. Ribeiro, Filipe Marques, Hugo de Almeida Pinho, Inês Teles, Joana Gomes, José Almeida Pereira, Jorge André Catarino, Pauliana Valente Pimentel e Paulo Mendes.

«São a maioria dos artistas que trabalha [em Portugal] sobre temas socio-políticos e abrangem várias gerações - alguns estão mais estabelecidos, outros são da nova geração», acrescentou.

Inicialmente organizada para se estrear em Braga, a mostra acabou por se realizar entre maio e junho em Lisboa, na galeria Plataforma Revólver, graças ao apoio da Fundação Gulbenkian.

Foi durante a procura de locais para expor que Inês Valle descobriu o Project Bermondsey, em Londres, o espaço gerido por uma associação com fins sociais a exposição fica até 03 de agosto.

A falta de financiamento não impediu os artistas de participarem, pagando as próprias despesas e adaptando ou criando novas peças para facilitar o transporte.

Filipe Marques, que produziu um pano com imagens relacionadas com a história da revolução, admite que a atual situação portuguesa é «a melhor matéria para trabalhar - é como o Santo Graal dos artistas».

O artista, porém, defendeu: «Não nos podemos [limitar a] criar uma imagética, é preciso mostrar cólera».