A chanceler alemã, Angela Merkel, apelou este sábado para uma defesa da Europa «forte e unida» perante os ataques às liberdades de imprensa e de religião, enquanto reiterava as advertências contra o movimento islamófobo Pegida.

«Só unidos somos realmente forte e convincentes», afirmou a chanceler, através de uma mensagem de vídeo, centrada nas ameaças sobre a Europa, incluindo as agressões ao «princípio da integridade territorial», numa alusão ao conflito ucraniano.

Os europeus «podem sentir-se felizes» perante a comunidade de interesses comuns que representa a União Europeia, «acima das diferenças entre cada um dos 28 estados membros que a compõem», prosseguiu Merkel.

Entre estes interesses e princípios comuns estão o «compromisso pela liberdade de expressão, de imprensa e de religião», princípios que a Europa deve defender agora, também conjuntamente, disse.

Merkel, que assistirá no domingo à manifestação em Paris de repulsa pelo atentado de quarta-feira ao semanário francês Charlie Hebdo, juntamente com vários ministros - como o do Interior, Thomas de Maiziére, e da Economia e líder social-democrata, Sigmar Gabriel – aludiu também na sua mensagem ao movimento Pegida.

A chanceler advertiu contra a apropriação da frase «Wir sind das Volk» (Nós somos o Povo), que representou a revolução pacífica de 1989 que precedeu a queda do muro de Berlim e que agora é utilizada por esses grupos nas suas convocatórias.

Entre os princípios fundamentais que a Alemanha defende está o direito de asilo àqueles que sofrem perseguições, recordou Merkel, para garantir que esse princípio permanecerá vigente no país, por cima de quem pretender afrontá-lo.

A chanceler insistiu, assim, no conteúdo da sua mensagem de Fim de Ano, centrada no repúdio por todas as formas de xenofobia, e pediu aos cidadãos para não seguirem as marchas do movimento “Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente” (Pegida).

O grupo convocou para segunda-feira, de novo em Dresden (Este), mais uma concentração, que pretende ser silenciosa e em memória das vítimas do atentado contra a revista satírica Charlie Hebdo.