Mensagens trocadas na aplicação Whatsapp, bem como publicações na rede social Twitter, por Andrés de V. F. – o jovem que ontem foi detido por agredir o primeiro-ministro espanhol numa ação de campanha em Pontevedra - mostram que o ataque a Mariano Rajoy não foi um ato improvisado.

O jovem de 17 anos trocou mensagens com amigos pela aplicação, e recebeu incentivos por parte destes para que prosseguisse com o plano.

Segundo o El Mundo, “Capi mata-o”, “os polegares nos olhos” e “cospe-lhe na cara” foram as mensagens que Andrés recebeu cerca de 10 minutos antes de esmurrar o primeiro-ministro. O jovem respondeu com uma fotografia sua tirada em frente ao espelho seguida da frase “já estou a sair”.

Os amigos foram ao local e aplaudiram Andrés quando este era levado pela polícia.

Há mais de um ano que, na rede social Twitter, o jovem fazia ameaças contra o Partido Popular, que Mariano Rajoy lidera, e criticava o primeiro-ministro, conta a Europa Press.



Na sua conta, o jovem de Pontevedra, terra natal do primeiro-ministro, escreveu a 13 de dezembro do ano passado “vou fazer um atentado contra a sede do PP”. Noutra ocasião escreveu que Mariano Rajoy era a “vergonha de Pontevedra”.

“PP ladrões (…) demitam Mariano, a vergonha de Pontevedra”


O jovem pertence à claque de futebol do clube de Pontevedra, Mocidade Granate, declara-se antifascista e apoiante do partido Las Mareas, ligado ao Podemos. Segundo o “El Periodico”, após o ataque, Andrés não mostrou qualquer arrependimento e afirmou que voltaria a atacar o primeiro-ministro.

Andrés de V. F. deverá ser condenado por ataque a uma autoridade, uma pena que pode chegar aos seis anos de prisão. No entanto, tratando-se de um menor de idade, o jovem pode ser sujeito a um regime de internamento, destinado a adolescentes com idades superiores a 14 anos.

Entretanto, Mariano Rajoy, que já ontem tinha agradecido as mensagens de apoio que recebeu depois da agressão, voltou às redes sociais para afirmar que está bem e que “vai prosseguir com a sua agenda”.
   
Entretanto, Mariano Rajoy, que já ontem tinha agradecido as mensagens de apoio que recebeu depois da agressão, voltou às redes sociais para afirmar que está bem e que “vai prosseguir com a sua agenda” de campanha, tendo em vista as eleições de domingo.

O primeiro-ministro espanhol deu uma série de entrevistas esta manhã nas quais reiterou estar “bem”, e pediu que não sejam retiradas conclusões políticas do incidente.

“Tenho a cara um pouco inchada. O médico receitou-me uma pomada e um analgésico. (…) Não retiro conclusões políticas disto e peço que ninguém o faça. Estamos num país civilizado e não andamos à bofetada. Foi uma exceção”, disse numa entrevista à Telecinco.


Numa outra mensagem publicada no seu Twitter oficial, Rajoy surge a fazer exercício numa passadeira, com a descrição “continuamos a avançar”.
 
Segundo o El País, Rajoy também informou que não vai alterar a sua forma de fazer campanha eleitoral, descartando a possibilidade de deixar de fazer arruadas e de se aproximar de populares.

“Não temos que mudar a nossa forma de fazer campanha [só] porque aconteceu uma exceção que confirma a regra geral do civismo”.