Mais de 40 anos depois da morte do marido, uma mulher nos EUA uniu-se a uma campanha da Amnistia Internacional para libertar o homem acusado e condenado pelo crime.

De acordo com a BBC, Leontine Rogers, ou Teenie, como é chamada, diz estar convencida de que Albert Woodfox, condenado pelo homicídio e preso há 42 anos em regime de isolamento, é inocente. Ele foi acusado do crime ao lado de um outro homem, Herman Wallace, que morreu em 2013.

«Eu vi e li todas as provas e ninguém me pode convencer do contrário. Eles são inocentes», diz Leontine Rogers. Não há nada que prove que Herman e Albert são culpados», afirma a viúva.

O marido de Teenie, o guarda prisional Brent Miller, foi morto à facada em 1972, aos 23 anos, na Prisão Federal de Louisiana, conhecida como Angola, onde trabalhava.

Na época, Albert Woodfox cumpria pena por roubo à mão armada. Ao lado de Herman Wallace, que também cumpria pena no local, e outros reclusos, Woodfox organizava uma célula do movimento negro revolucionário Panteras Negras, naquela que é uma das prisões mais brutais dos Estados Unidos

Os dois foram condenados pelo assassinato de Brent Miller e, ao lado de um terceiro recluso, Robert King, ficaram conhecidos como «Os três de Angola». Isto por terem sido colocados em confinamento solitário 23 horas por dia, cada um restrito a uma cela de aproximadamente 2x3 metros, sem contacto com outros presos.

Fazer justiça

O caso chamou a atenção de grupos de defesa dos direitos humanos, que afirmam que os três negros foram vítimas de falhas no julgamento e discriminação e sujeitos a condições desumanas, pelo tempo passado na solitária.

De acordo com a Amnistia Internacional, Albert Woodfox é atualmente a pessoa presa em confinamento solitário que está há mais tempo nessa condição.

«Saber que eles estiveram lá [na solitária] durante todos estes anos simplesmente parte-me o coração», diz a viúva do guarda prisional morto. «Passar este tempo todo, especialmente sabendo que não fez nada para merecer isso. Não consigo nem imaginar», afirma Leontine Rogers.

A mulher diz que o Estado insiste em manter Woodfox na prisão porque «precisam de culpar alguém, e acham que estão a fazer Justiça».

Mas Leontine Rogers e a família afirmam que não se fez justiça, já que acreditam que os verdadeiros homicidas do marido não foram punidos. «Na verdade, é uma injustiça o que estão a fazer. Acho que tem de acabar», defende.