Grupos de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia, criticaram as autoridades tailandesas por condenarem cinco presumíveis separatistas muçulmanos à pena de morte, afirmando que a punição faz muito pouco pela promoção da paz na conturbada região do sul.

Os cinco homens foram condenados na quarta-feira por um tribunal provincial de Pattani por terem morto a tiro quatro soldados em julho de 2013, informou o Thai Rath, jornal com a maior circulação no país.

Os homens foram identificados como Ismail Daong, Masahadi Methor, Gordae Jatae, Nimuhammud Niseng e Hisbulloh Buesa.

Aproximadamente 6.000 pessoas morreram nas províncias de Pattani, Yala e Narathiwat desde que o movimento separatista islâmico, formado por meia dezena de grupos, decidiu retomar a luta armada, em janeiro de 2004.

Os atentados com recurso a armas ligeiras, homicídios e atentados à bomba nas três províncias muçulmanas do sul da Tailândia ocorrem a um ritmo quase diário, apesar do destacamento de cerca de 40 mil efetivos das forças de segurança e vigência do estado de exceção.

«A pena de morte é, só por si, uma violação dos direitos humanos e em nada contribuirá para conter a violência no sul da Tailândia», disse Rupert Abbott, subdiretor da Amnistia Internacional para o Sudeste da Ásia, à agência noticiosa francesa AFP.

«Talvez seja tentador para as autoridades tailandesas pensar na pena de morte como uma solução rápida para lutar contra a insegurança, mas não há prova alguma de que a ameaça da execução figure como um agente particular de dissuasão do crime».


Andrea Giorgetta, da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), acrescentou: «A Tailândia tem repetidamente manifestado o seu compromisso em abolir a pena capital. Infelizmente, estas promessas não são acompanhadas por ações, já que os deputados aumentam, em vez de reduzir, o número de crimes capitais e os tribunais continuam a impor penas de morte».

Segundo a FIDH, havia 623 reclusos (572 homens e 51 mulheres) condenados à morte na Tailândia até 31 de agosto, a maioria por crimes relacionados com droga.

A última vez que a pena capital foi aplicada foi em 2009, quando dois homens, condenados por tráfico de droga, foram executados através de uma injeção letal.