É o saldo negativo dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Nas contas da organização não-governamental, pelo menos oito pessoas morreram em confrontos com a polícia brasileira. Isto durante os 17 dias em que a cidade acolheu o evento, porque antes, ainda foi pior: a Amnistia Internacional refere que o número de mortos pela polícia na capital carioca passou de 91, entre abril e julho de 2015, para 168, no mesmo período, este ano.

Num relatório sobre violações de direitos humanos que aconteceram durante os Jogos Olímpicos, a Amnistia frisou que os organizadores não fizeram nada para impedir que o problema ocorresse. Ficou um "legado de violência", já que sem medidas para acabar com a violência policial no Rio de Janeiro, o Comité Olímpico Internacional e a Comissão Organizadora fracassaram nos esforços para oferecer "um novo mundo" na cidade brasileira.

Os organizadores disseram ter inspirado novos aspetos, novos heróis, e o poder transformador do desporto. Mas entre a pompa e fanfarra, nada mudou em relação ao padrão de violações dos direitos humanos cometidas pela polícia no Rio de Janeiro e outras forças destacadas na cidade para levar a cabo operações de segurança", acusa o relatório.

Jovens negros na mira

De acordo com o relatório, durante os Jogos Olímpicos, as forças de segurança "recorreram novamente ao uso de força excessiva e desnecessária para suprimir protestos e manifestações basicamente pacíficas". Já o direito à liberdade de expressão foi limitado ilegalmente por diferentes leis.

Durante os Jogos, havia tiroteios diários e outros incidentes de violência armada no Rio de Janeiro, muitos como um resultado direto de operações policiais em favelas e outras áreas pobres da cidade", diz o relatório.

De acordo com o documento, além dos oito civis mortos em confrontos com a polícia, a lista pode aumentar com casos ainda não resolvidos.

A Amnistia advertiu que a violência policial cresceu principalmente nos meses antes dos Jogos Olímpicos.

Entre janeiro de 2009, quando a cidade foi escolhidas para sede dos Jogos Olímpicos e julho deste ano, 2.713 pessoas morreram no Rio de Janeiro às mãos da polícia. Na sua esmagadora maioria, eram jovens negros.