
O Congresso do Peru vai discutir brevemente um projeto de lei sobre a construção de uma estrada que vai atravessar a floresta amazónica. Os ambientalistas e a maioria da população avisam que esta é uma grande ameaça para as tribos isoladas da Amazónia, que sobrevivem sem qualquer contacto com a civilização.
A estrada, de cerca de 200 quilómetros, será paralela à fronteira com o Brasil e ligará as cidades de Puerto Esperanza e Iñapari. Pelo meio, irá atravessar o parque nacional de Alto Purús, que até agora só é acessível por avião. É nesta zona que se encontra, por exemplo, a tribo Mashco-Piro, cujas imagens foram divulgadas no início do ano.
«Os indígenas dependem da floresta e dos rios para sobreviverem. Esta estrada vai destruir um dos lugares mais selvagens e culturalmente importantes na Terra. Irá prevalecer a razão ou a ganância?», questionou ao «The Guardian» Chris Fagan, diretor de uma das organizações que trabalha com a população nativa.
A maioria peruanos está unida contra a construção, alertando ainda que a fauna e a flora locais podem estar em risco. O líder indígena Julio Cusurichi fala mesmo em «etnocídio» das tribos isoladas.
Já os mestiços, descendentes dos colonizadores espanhóis, que representam cerca de um quinto da população, acreditam que a estrada melhorará a sua qualidade de vida, através da diminuição dos preços dos combustíveis e dos alimentos e da criação de novas oportunidades de negócio.
A liderar a campanha a favor da estrada está um padre italiano, Miguel Piovesan, que acusa os ambientalistas de quererem impedir o desenvolvimento dos indígenas. «Estas organizações internacionais ganham dinheiro porque se apresentam como os salvadores dos índios. Por isso, se os índios evoluírem, eles perdem o seu negócio», afirmou, na rádio.
A organização indígena Feconapu reagiu a estas declarações, apelando ao Vaticano para retirar o padre do país, por considerar que insultou e humilhou a população nativa.
Segundo o último censo, de 2007, 3500 pessoas vivem nesta região, distribuídas por oito tribos conhecidas, mas muitas mais desconhecidas.